Ekballo.
O termo grego para MANDAR é ekballo — significa expulsar, chutar com violência para fora, fazer alguém se mover em linha reta até o alvo pretendido.
Fui agnóstica até os 13 anos de idade, quando conheci, de fato, o Jesus pelo qual sou apaixonada, defendo e tento limpar a imagem manchada por alguns do fã clube até hoje. Quando eu o aceitei foi tão íntimo, éramos só eu e mais 2 pessoas. Quase ninguém viu. Não fui aplaudida e acolhida por uma igreja cheia. Também ninguém apontaria o dedo pra mim como “evangélica” por eu ter o escolhido. Mas quem precisava saber, sabia: Eu e Ele.
Mas eu ainda sentia no peito a necessidade de expressar publicamente o meu amor por aquele que morreu por mim, uma vontade de sair me rasgando no meio gritando que Jesus era real, que o amor dEle cobria o mundo inteiro e que as pessoas eram amadas. Bem como diz as escrituras sobre o que significa o batismo, o meu significava exatamente aquilo no meu coração: a expressão pública da minha fé nEle. E é daí que eu conto como início da minha jornada com Jesus, quando eu recebi meu Ekballo pela primeira vez. Deixei tudo pra trás, amigos, rotina, traumas, perspectivas, tudo. Éramos eu e Jesus, sem nenhum plano B. Ele era meu plano A, isso bastava.
Depois desses 10 anos, precisei de um Ekballo novamente, desses bem violentos mesmo, porque dizer que Ekballo é confortável ou vem como uma brisa, é a maior mentira que alguém pode pregar. Nunca foi. Nunca será. Vem como um caminhão te atropelando, como uma tempestade horrível mudando tudo de lugar e te deixando desnorteado.
Porque na maioria das vezes, quando Jesus te dá um Ekballo, Ele te tira da zona de conforto que criaste, Ele desfaz o castelo que construíste onde tu tens o poder nas mãos. E não só isso, Ele te manda se despedir dos teus pais e queimar teus bens. (1 Reis 19:20,21) Ele te faz queimar Teu plano B e aprender a confiar.
É um processo doloroso mas compensatório. Quando a gente recorda que Jesus é um Deus de amor, que Ele não faz nada pro nosso mal, pelo contrário, nos tira dos caminhos tortuosos que nos levariam para algum desfecho trágico e nos coloca no caminho reto, a gente entende que nada disso é feito por outro motivo senão amor a nós. Porque será melhor para nós, porque nos fará bem, porque nos curará, porque nos libertará, porque nos alegrará, porque nos engrandecerá. Jesus só possui esse interesse, entenda que Ele é o maior interessado nisso, okay?
O meu caminho torto? A vontade permissiva de Deus. Vivia só da permissão, com o controle da minha vida nas minhas mãos, dizendo que queria pelo menos uma vez fazer as próprias escolhas e vivê-las. Assim o fiz, saí do meu lugar de filha pra assumir uma maturidade desnecessária. Tinha cada dia do mês perfeitamente calculado, uma agenda que regia desde meu acordar até meu dormir, com tarefas, lazer, hábitos a cumprir e controle de tudo. Resultado : depressão, síndrome do pânico, ansiedade e complexo de inferioridade. Não porque Deus é mau, mas porque Ele me projetou e não tenho satisfação plena em nada que não venha da Sua orientação. Porque Ele é meu Pai, onde o dever dele é cuidar de tudo, e o meu dever de filha é descansar, confiar e caminhar segundo Sua voz. “Pra ali, pra lá, pra cá, agora aqui.”
Se eu queria sair dali do caminho torto? Não. Porque não queria sentir a dor do processo. Até que um dia a dor foi tanta, que entreguei o controle da situação e, então vi a vida virar de cabeça pra baixo e tive de viver a dor do processo, recebi meu Ekballo.
Alguns dizem que meu semblante é outro, outros dizem que agora faço revelações genuínas do amor de Deus e assim os livro da ansiedade, outros dizem que minha alegria voltou a contagiar, que minhas bochechas já estão voltando e elas sempre são um bom medidor da minha felicidade.
Isso nada mais é do que a resultante do meu Ekballo, que mandou-me de volta pro lugar de filha, sem direito de volta pro que eu havia construído, sem direito de volta pra onde Deus me tirou, sem direito de volta para os meus diagnósticos. Porque maior e melhor: é ocupar o lugar que ele projetou pra mim, é o que Ele sonhou pra mim.
Finalizo mais uma vez dizendo: Embrace The Process. Vale a pena!
