Eu tenho um certo apreço pelos insetos. Qualquer ser vivo que exibe sua fragilidade diante do mundo é digno de ter dos nossos olhos, o tento. Sem contar com suas formas e belezas dissemelhantes do nosso padrão. Embora eu não lembre de quando comecei a ter esses momentos de encanto. Sei que não é de hoje, também não seria essa uma questão metafísica. Prefiro parafrasear Sartre e fugir desses termos cronológicos: 
“ A existência precede a essência”.

Toda via, eu sou uma pessoa que ajuda estes seres de vez em quando: 
Tiro formigas do afogamento eminente da pia, 
ajudo mariposas a escapar dos pisões no corredor,
coloco joaninhas de volta aos galhos…

E ultimamente venho trabalhando numa obra de caridade que cuida de algumas borboletas tristes que moram no estômago. Elas quase nem voam mais, mas ainda estão lá. 
Em algum tempo não estarão mais, até que floresça uma nova flor diante olhos. Viver e amar é uma questão cíclica, tanto para mim, quanto para elas.

-Os últimos voos, Rick Lopes 2017