
“Conformar-se é submeter-se e vencer é conformar-se, ser vencido. Por isso toda a vitória é uma grosseria. Os vencedores perdem sempre todas as qualidades de desalento com o presente que os levaram à luta que lhes deu a vitória. Ficam satisfeitos, e satisfeito só pode estar aquele que se conforma, que não tem a mentalidade do vencedor. Vence só quem nunca consegue."
Fernando Pessoa assim escreveu no Livro do Desassossego e ao pensar numa ideia para escrever sobre Steve Nash tais palavras retornaram a minha mente.
Retornaram por que por muito tempo me incomodou que Steve Nash não tenha um anel de campeão da NBA, que mesmo que tenha duas temporadas de MVP atuando num timaço do Suns ele não tenha erguido o Larry O’Brien. Doeu ainda mais ve-lo partir para o Lakers, para se juntar a Kobe e tentar finalmente chegar lá e mesmo assim não lograr campeão.
Só que isso é algo que me incomodava, provavelmente incomodava muitos fãs do Nash e ainda pode incomodar algumas pessoas, entretanto não sei se é algo que algum dia incomodou o proprio Nash. Por que como Pessoa brilhantemente definiu, vencer é conforma-se e isso é algo que Steve jamais fez.
Eu percebi o que representa Steve Nash para o Phoenix Suns, para a NBA e principalmente para o basquete no dia que ele foi eternizado na Talking Stick Resort Arena. Naquele momento eu percebi o quanto esse Canadense de pouco mais de 1m90cm de altura foi transformador.

Nash era o lúdico a serviço do jogo, era o mágico que cativava as pessoas e somava sonhos. Como o meu enquanto um menino de 10 anos, que na inocencia de uma criança sem muito pontuar a realidade, passei a imaginar-me como um jogador da NBA. Eu tão baixinho na NBA? Steve Nash conseguiu pai e ele é baixinho também.
Steve fez isso ao redor do globo, eu tenho certeza e isso tem peso. Muito peso. Peso maior do que "apenas" ter um anel de campeão.
Sabe por que? Por que o esporte é muito mais do que o jogo em si. O esporte é a vida das pessoas, ele transforma realidades, perpetua prazeres e permite sonhar. Enquanto figura representativa poucos foram grandes como Steve.
Sua visão de quadra, seu QI de basquete, o modo como era senhor do ritmo, permitiam um bailar entre gigantes. Steve Nash liderou um dos ataques mais dinamicos que a Liga já viu e de certa forma marcou o que a NBA teria como tendencia alguns anos depois.
Por isso, por ser um maestro, por acima do jogador ser um artista é que Nash é tão grande e tão importante. Por que se toda vitória é uma grosseria, ele não poderia mesmo vencer, por que é incapaz de ser grosseiro.
Bem vindo ao Hall of Fame, nós te amamos e para sempre We Want Steve!

