Ansiedade: a busca pelo final feliz.
Sim. É familiar essa sensação. Tão familiar quanto o alimento que ingerimos, o ar que respiramos e o frio que sentimos nos dias mais gelados. Engraçado pensar que de uma hora para outra tudo pode melhorar — ou piorar ainda mais.
A maioria das noites que passo em claro com algum livro nas mãos e uma caneca de chá quente, procuro encontrar sentido no que estou fazendo. Questiono-me se estou praticando aquela tarefa como hobbie ou como obrigação, como medo de viver o mundo real ou como ter um refúgio para me esconder. É complicado quando falamos sobre o futuro e especificamente sobre as decisões que devemos tomar— que sempre são incertas, confusas e engolidas por um buraco negro para você fica perdido em 83,2% das demais coisas na sua vida (é sério).
Sempre quando ele tem oportunidade, ouço dizer: Desde pequeno eu trabalhava para ajudar no sustento de casa; Com 18 anos o tempo começa a voar; Agarre as oportunidades, não deixe-as passar; Meu filho você é jovem acalma teu coração; Com essa idade não arrumou emprego bom ainda?... Aham, algumas coisas dentro da gente quando escutamos algo semelhante a isso fazem borbulhar no estômago uma sensação de insegurança, incapacidade e desânimo; é bem parecido como uma montanha-russa — desce, sobe, vira, cai, sobe mais um pouco, dá um looping, despenca, rápido demais na decida, devagar demais na subida.
Essa é a tal da ansiedade. Desde pequenino a gente sonha com algo grandioso, com o alto-ideal, com o lúdico de que em dois ou três anos tudo vai estar pronto e arrumado para o final de nossas vidas; o carro zero, a casa e o trabalho dos sonhos e por ai vai…— Quando crescer eu quero ser médico, artista, estilista, design, veterinário, diretor de cinema, produtor, escritor de livro… Meu Deus o que agora realmente eu sou? O que eu vou ser?
Hoje penso em crescer — não crescer para ser algo definitivo. O que antes idealizava como o maior objetivo dessa vida, hoje quero apenas encontrar maneiras de sobreviver; de batalhar contra as incansáveis noites de insônia, contra as longas madrugadas sem ar pensando no “e se?”, contra as infinitas ideias que percorrem como água os neorônios do cérebro; contra as muitas barreiras que são colocadas como pedestais fixos pelo caminho; enfim. Agora, neste exato momento… ando pegando do chão alguns fragmentos para sobreviver ao mar alto e as ondas fortes contra esse turbilhão de coisas depositadas dentro de um corpo flácido que contém 70% de água.
Tudo é questão de sobrevivência.
Tudo é sobreviver.