Ansiedade: a busca pelo final feliz.

Ricky Rolim
Jul 20, 2017 · 2 min read

Sim. É familiar essa sensação. Tão familiar quanto o alimento que ingerimos, o ar que respiramos e o frio que sentimos nos dias mais gelados. Engraçado pensar que de uma hora para outra tudo pode melhorar — ou piorar ainda mais.

A maioria das noites que passo em claro com algum livro nas mãos e uma caneca de chá quente, procuro encontrar sentido no que estou fazendo. Questiono-me se estou praticando aquela tarefa como hobbie ou como obrigação, como medo de viver o mundo real ou como ter um refúgio para me esconder. É complicado quando falamos sobre o futuro e especificamente sobre as decisões que devemos tomar— que sempre são incertas, confusas e engolidas por um buraco negro para você fica perdido em 83,2% das demais coisas na sua vida (é sério).

Sempre quando ele tem oportunidade, ouço dizer: Desde pequeno eu trabalhava para ajudar no sustento de casa; Com 18 anos o tempo começa a voar; Agarre as oportunidades, não deixe-as passar; Meu filho você é jovem acalma teu coração; Com essa idade não arrumou emprego bom ainda?... Aham, algumas coisas dentro da gente quando escutamos algo semelhante a isso fazem borbulhar no estômago uma sensação de insegurança, incapacidade e desânimo; é bem parecido como uma montanha-russa — desce, sobe, vira, cai, sobe mais um pouco, dá um looping, despenca, rápido demais na decida, devagar demais na subida.

Essa é a tal da ansiedade. Desde pequenino a gente sonha com algo grandioso, com o alto-ideal, com o lúdico de que em dois ou três anos tudo vai estar pronto e arrumado para o final de nossas vidas; o carro zero, a casa e o trabalho dos sonhos e por ai vai…— Quando crescer eu quero ser médico, artista, estilista, design, veterinário, diretor de cinema, produtor, escritor de livro… Meu Deus o que agora realmente eu sou? O que eu vou ser?

Hoje penso em crescer — não crescer para ser algo definitivo. O que antes idealizava como o maior objetivo dessa vida, hoje quero apenas encontrar maneiras de sobreviver; de batalhar contra as incansáveis noites de insônia, contra as longas madrugadas sem ar pensando no “e se?”, contra as infinitas ideias que percorrem como água os neorônios do cérebro; contra as muitas barreiras que são colocadas como pedestais fixos pelo caminho; enfim. Agora, neste exato momento… ando pegando do chão alguns fragmentos para sobreviver ao mar alto e as ondas fortes contra esse turbilhão de coisas depositadas dentro de um corpo flácido que contém 70% de água.

Tudo é questão de sobrevivência.

Tudo é sobreviver.

)
Welcome to a place where words matter. On Medium, smart voices and original ideas take center stage - with no ads in sight. Watch
Follow all the topics you care about, and we’ll deliver the best stories for you to your homepage and inbox. Explore
Get unlimited access to the best stories on Medium — and support writers while you’re at it. Just $5/month. Upgrade