Os novos opinion makers

StockSnap

Terça-feira ao jantar, contava a Bia (11 anos) que ouviu falar da notícia, não sabia de onde, que “YouTube ia acabar ou coisa assim” e que iam fazer “um YouTube Premium” e que as pessoas tinham que apagar os vídeos… Dois jornalistas à mesa (ou uma jornalista e um ex-jornalista), lá chamamos à atenção ao “diz que disse” e que devemos ter atenção à fonte da informação. Na altura associei a conversa à controvérsia do Artigo 13, “mas porque raio vem agora à tona se foi aprovado em setembro e só voltará ao Parlamento Europeu em janeiro”, pensei. No dia seguinte percebi…

Em julho, o tal Artigo 13 foi notícia em alguns media, sobretudo online e menos mainstream. Pouco se ouviu mais. A proposta foi chumbada e emendada para nova votação em setembro. A cobertura noticiosa aí foi maior, com mais meios mainstream a focar o assunto. Ainda assim, terá passado despercebida pela maioria do público, sobretudo mais jovem.

Até que dois dos youtubers mais seguidos em Portugal abordaram o assunto esta semana. E de repente, parece que toda a gente fala e quer saber do Artigo 13 (e ainda bem). É assunto até discutido em salas de aula de norte a sul.

Estes parágrafos não são sobre a importância da discussão do Artigo 13. São sobre a importância dos chamados youtubers, os novos opinion makers dos nossos filhos.

O vídeo do Wuant vai com mais de 1,4 milhões de visualizações em três dias. Eu escrevo de outra forma: Mais de 1.400.000 visualizações em três dias. Atrevo-me a dizer que não haverá nenhum vídeo publicado por um meio de comunicação social português que chegue perto deste valor.

Wuant e outros youtubers são importantes. Muito. E eles saberão disso. São os entertainers do momento do mundo digital, mas são mais que isso, podem ser mais que qualquer colunista de renome da nossa praça e levar massas atrás. E devem ser tidos e reconhecidos como tal.

Menosprezá-los ou, pior, apelidá-los de parasitas é ser simplesmente tolo e cego.

Mas esta é apenas a minha opinião.