#MasDivago 001 — Alpha

Eu participo de um grupo no Telegram chamado Valhacken. Ele nasceu como um meio de interação entre os ouvintes do Hack ‘n’ Cast. Mas acabou tomando vida própria e os assuntos vão muito além do tema principal do podcast. Vez ou outra os papos malucos me inspiram a fazer o que lá são “textões”… Algumas opiniões estranhas e histórias loucas da minha vida — ora fantasiadas, ora inventadas, ora aumentadas e até ora verdadeiras. Estimulado pela @kellfluz The Lightning, resolvi marcar esses textos com a tag #MasDivago, dar uma trabalhada e publicar aqui.

Eu corro na avenida em frente à minha casa. Eu testei vários percursos por aqui, mas esse se mostrou o mais prático: uma subida de 700 metros, seguida de uma descida da mesma distância. Dá pra fazer testes com variações de velocidade, fica entre os quartéis da Guarda Municipal e da Polícia Militar (esso aspecto é extremamente importante por aqui) e fica mais fácil de encontrar minha carcaça caso eu morra pelo caminho.

Vira e mexe aparecia um cachorro de rua escrotaço, pelo escuro, sujo, mal encarado, mais alto que os demais, parecendo um Uruk-hai. Ele dominava a matilha de cães da área. E, como todo macho alfa, precisava mostrar sua atitude o tempo todo.

Eu já tinha tomado umas duas ou três carreiras do maldito em outros treinos: uma "presa" correndo, certamente, deveria ativar todos os genes ancestrais de predador do desgraçado. Eu costumava simplesmente seguir meu caminho, na certeza de que cão que ladra não morde. Mas, numa das vezes, o ser satânico se aproximou latindo e deu o bote… Senti aquela beliscada na bunda do fim de uma mordida não concretizada. Escapei por pouco do ataque de um cão sarnento — e das chatas consequências de tomar vacina, acompanhar se o cachorro está com raiva, etc.

Isso me deixou puto, mas suportei o bullying por mais um tempo. Houve um dia, entretanto, em que não aguentei mais. Ao passar por uma esquina, o tinhoso apareceu de surpresa pra cima de mim. Eu dei um chute cego, instintivo, que só resvalou nele. A criatura continuou latindo, mas se afastou com um olhar atônito que dizia claramente:

— Caralho, por que você fez isso? E na frente da minha galera?

Continuei a corrida. Na volta seguinte, mais confiante, mudei levemente o percurso só pra passar perto do pestilento. E, como esperado, ele veio correndo novamente na minha direção. Mas, dessa vez, eu fui pra cima da besta: braços abertos, gritando e com cara de maluco. O demônio deu uma freada brusca, murchou as orelhas, encolheu o rabo, deu meia volta, correu até o horizonte e sumiu desde então.

Hoje eu sou o macho alfa dos cachorros de rua perto da minha casa. 😎

Adaptação de um “textão” de 11/08/2017 no Valhacken.
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