Editorial do Grupo RIC: um novo futuro

O sinal verde da Câmara dos Deputados para o impeachment da presidente Dilma, com folgada votação para os que desejam a deposição da petista, não é a luz no fim do túnel que muitos imaginam. A decisão final está nas mãos do Senado Federal, que tem prazo de 180 dias para o julgamento. O país, tal qual uma nau sem rumo, com certeza continuará enfrentando tempestades e turbulências por conta do impasse político e econômico. Porém, apesar deste quadro caótico, existe a possibilidade real de mudança e oportunidade da construção de um novo futuro.

Parece não restar dúvida sobre os crimes de responsabilidade cometidos pela presidente Dilma, as chamadas “pedaladas fiscais”, em desrespeito à Constituição Federal. Enfim, o seu governo acabou mesmo antes do impeachment. O projeto de poder do atual governo conseguiu falir o Brasil. Mais do que isto, retirou dos brasileiros a esperança de dias melhores, com descrédito absoluto das instituições, principalmente da classe política, incapaz de governar para a maioria e mais preocupada com interesses próprios. Assistimos, nos últimos dias, pela televisão, ao espetáculo grotesco e caricato dos parlamentares exibindo placas, distintivos e camisetas, como se estivessem na plateia de um programa de auditório. Faltou seriedade, postura e respeito.

A sociedade está cada vez mais madura e consciente. Tem se manifestado sobre a necessidade de uma reforma política de verdade, capaz de modernizar as práticas ultrapassadas, colocando o país em um novo patamar, ao lado das nações politicamente desenvolvidas. Como acreditar nos políticos e nos seus partidos, neste jogo de vale-tudo onde o que importa é o poder? Como justificar a postura do PMDB, que fez parte do governo Dilma, ocupou cargos e ministérios e agora tenta se desvencilhar de seu passado recente? O PMDB, caso venha a ocupar a Presidência da República, tem a obrigação de colocar em prática as propostas do documento “Uma ponte para o futuro”, em vez de buscar apenas espaço de poder.

No âmbito econômico, é preciso retomar a atividade a plena carga, reverter o pessimismo generalizado que inibe os investimentos, voltar a crescer, garantindo empregos e consumo. Estamos diante de um período traumático, mas transitório. Somos um país potencialmente rico e generoso, com recursos inesgotáveis. A classe empresarial tem competência para enfrentar este desafio. Basta o governo não atrapalhar. Os empresários, por meio de suas entidades de classe, têm o dever de participar deste novo momento, a partir da reconstrução do país. Falharam ao se ausentarem durante o processo que levou ao impeachment, praticamente se omitindo do debate.

Neste novo Brasil que imaginamos, não podemos fugir de alguns temas importantes que merecem ação imediata, como o pacto federativo e a reforma política, a revisão da idade para a aposentadoria e o fim da estabilidade dos servidores públicos. Também precisamos rever o papel do Estado, promovendo a privatização de serviços e empresas. Afinal, as estatais servem mais aos políticos, como fontes de barganha e corrupção, do que à sociedade. São reformas emergenciais, necessárias, que nossos governantes postergam, que estão inviabilizando o país.

Sabemos que as forças políticas e sociais é que conduzem, na verdade, uma nação. É preciso que, neste momento, sejam responsáveis e firmes neste propósito de recolocar o país nos trilhos. A construção deste novo país depende de que os novos dirigentes da nação tenham consciência da necessidade de mudanças políticas urgentes, imediatas. No âmbito partidário, é preciso impedir a reeleição, reduzir o número de partidos, criar leis que acabem com a corrupção, evitando, por exemplo, que políticos ocupem a direção de empresas públicas.

A imprensa, vigilante e fiscalizadora dos poderes, tem papel preponderante nesta transição, como fiel depositária da democracia. Por este motivo, defendemos a liberdade de expressão e o fortalecimento da imprensa. Graças ao trabalho investigativo da mídia, os brasileiros tomaram conhecimento dos escândalos e casos milionários de corrupção que levaram milhões de brasileiros às ruas e culminaram com o processo de impeachment.

Acreditamos que no fim do túnel, sim, haverá luz e esperança. Apesar das dificuldades, uma nova consciência vem surgindo no povo brasileiro, que anseia por renovação, que deseja o fim das velhas práticas, que sonha com um país moderno e eficiente. E isto só será possível com reformas corajosas nos âmbitos politico, social e econômico. É hora de virar a página, de propor um pacto pela reconstrução do país, a partir de uma nova agenda positiva.

Viveremos, nos próximos meses, um período de transição, com dificuldades evidentes. Por isso, há necessidade do comprometimento de todos em torno de um novo projeto para o país que seja digno de sua grandeza e importância. É um período para recuperarmos a cidadania, a confiança e a brasilidade perdida. E isto depende de todos e de cada um. Mas, principalmente, dos futuros ocupantes do Palácio do Planalto, que terão a responsabilidade de passar o Brasil a limpo.

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