Obrigada, chefe

Caso você queira saber qual a pior imagem para “entrevista de emprego” no Google Images: é esta aqui.

Estava contando para uns amigos como entrei no meu trabalho atual e me dei conta da sorte que tenho de estar empregada.

No final de 2015, tudo deu errado pra mim. Eu tinha recebido uma proposta de um lugar que eu queria muito. Pedi demissão da agência onde eu estava sem pensar duas vezes. Acontece que, na semana seguinte, a empresa para onde eu ia sofreu cortes — o famoso passaralho — e a minha vaga sumiu mais rápido que manifestação quando aparece bomba de fumaça. Na mesma semana, a agência onde eu estava perdeu uma das contas principais e, como eu já tinha pedido a demissão, eles resolveram unir o útil ao bastante-desagradável e me deixar ir embora (eles ainda foram bem legais e me deixaram ficar por mais dois meses).

Quando esse período acabou, era final de dezembro. Uma época em que os empregadores estão mais preocupados com a dúvida entre dar panetone ou chocotone na cesta de Natal do que em entrevistar as pobres redatoras desempregadas. Então fiz o que qualquer pessoa sensata faria: fui pra acapulco brasileira, também conhecida como Guarujá.

saudades, wi-fi

Depois de três dias do mais puro delírio tropical, já estávamos um pouco cansados dos mosquitos, da falta de Wi-Fi e da televisão que só pegava Faustão — ou o equivalente ao Faustão nos dias que não são domingo. E eis que recebo uma mensagem do meu futuro chefe, perguntando se podia fazer uma entrevista no dia seguinte. Graças a deus. Já estava com uma saudade do arzinho acinzentado de SP.

A entrevista era 4h da tarde. Carlos e eu combinamos de ir pra praia e ir depois do almoço, assim daria para chegar em casa, trocar de roupa e ir pra entrevista. Só não contávamos com o trânsito de SP. Sim, eu sei. Quem hoje em dia não desconfia que vai haver trânsito em SP? Enfim. Não deu tempo de ir pra casa. Solução:

Fui para a entrevista de bermuda.

Fui pra entrevista com biquíni debaixo de um camisetão.

De havaianas.

Se deu tudo certo no final, só pode ser porque meu chefe é carioca. Deve ter achado super normal e ainda ter sentido uma vaga saudade de tomar um mate gelado.

A história não acaba aí. Nesse meio tempo, peguei um freela de um mês em janeiro. Faziam umas duas semanas no freela quando recebo a mensagem do futuro-chefe, pedindo meu telefone para conversar. Escrevo o dito-cujo rapidamente, envio e continuo a fazer meus jobs do dia.

Passa uma meia hora. Nova mensagem.

-Tem certeza que esse é o telefone certo?

Dou uma conferida no número que enviei.

ERA O TELEFONE DA MINHA MÃE.

Pausa para sua mente absorver esse fato: Eu fiz meu futuro empregador ligar para minha mãe.

Não sei se eles chegaram a conversar, mas se sim, ela deve ter dado umas referências ótimas.


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