O sonho
Ela vinha pensando nele há dias. Há semanas.
Passavam as horas e ela se pegava com aquele olhar na cabeça… Aquele toque nas mãos… Ela era brava. Tentava arrancá-lo milimetricamente de cada pensamento mas, coitada… Ela nem tinha percebido que ele já tinha tomado conta de cada neurônio do seu espaço. Aquele espaço tão familiar, mas que ela conhecia igualzinho aquela nebulosa lá do céu. 0,000001%.
O dia tinha sido puxado. Prazos vencidos, reuniões vazias, egos inflados e aquele relógio que teimava em trabalhar no seu tempo próprio (pleonasmo necessário). E não era no de 24h por dia.
Abre a porta do apartamento, joga os sapatos longe, abraça longamente Theo (seu buldogue francês) e alcança aquela cerveja gelada que prometia aliviar a tensão daquele dia de cão… Senta jogada no sofá, dá aquele gole longo, que desce limpando cada esporro que queria soltar naquele dia mas não pôde. O único ponto que ela não alcançava era o pensamento nele… Caramba, que que tá acontecendo comigo? Sai daqui! — Ela falou sozinha, e nisso ficou.
Então se despe, entra no box branco de vapor e deixa aquela água quente, quase fervendo, passar por cada curva do seu corpo…- E se ele estivesse aqui… — A cabeça vai longe…
Já na cama, nua como sempre, o sono a faz refém e ela se entrega.
- Agora estou livre de você. Boa noite.
Mas ele veio… É sonho ou realidade? Ela já não sabe mais de nada.
Seus rostos há milímetros de distância, ele sabe que ela o quer e seus olhos não se desvencilham nem por um momento. É como ficar nua pra ele.
As peles se tocam. E aquele calor que há dias só tinha na cabeça, agora queima… Os olhos fechados. Os movimentos são lentos. Um roçar sem pressa… Quase como uma dança… Ela mal consegue acreditar no que está acontecendo, quando os lábios dele, grandes e bem desenhados vem de encontro à sua boca, sedenta de desejo… — Vem! Me beija! — e de supetão ela acorda, caindo da cama, com Theo lambendo seu rosto…
Ainda não foi dessa vez.