Rodrigo Maia e Renan Calheiros largam na frente na corrida para as presidências da Câmara e do Senado

Por Pedro Sodré

Mergulhados em escândalos de corrupção, Maia e Renan buscam continuar agarrados ao poder

Rodrigo Maia assumiu a Câmara dos Deputados em 2016, logo após a cassação do mandato de Eduardo Cunha, por envolvimento em corrupção. Filho do ex-prefeito do Rio de Janeiro, César Maia, Rodrigo conseguiu nessas últimas eleições, ser eleito pela sexta vez como deputado. Está na política desde os 26 anos, quando foi nomeado Secretário de Governo da Prefeitura do Rio de Janeiro, no ano de 1996, no mandato do prefeito Luiz Paulo Conde.

Durante esses 22 anos em que está na política, Maia foi mais um dos vários parlamentares envolvidos na Lava Jato e responde a dois inquéritos no STF, referentes ao processo de delação premiada de ex-executivos da construtora Odebrecht. Na primeira investigação, os delatores indicaram um pagamento de 350 mil a Maia, que afirmou que a quantia foi utilizada para financiar a campanha eleitoral de candidatos do DEM do Rio de Janeiro nas eleições de 2008. Nas eleições de 2010, a Odebrecht pagou mais 600 mil reais para o financiamento das campanhas de Rodrigo Maia e de seu pai, César Maia.

Nesse período de pouco mais de um mês que ainda resta no ano de 2018, Maia tem feito articulações visando aprovar pautas importantes a pedido do novo presidente Jair Bolsonaro. Ser do mesmo partido de Onyx Lorenzoni, tem sido um facilitador para essas negociações, para que o atual chefe da Casa consiga sufocar outros nomes que podem se candidatar ao cargo.

Das propostas que tenta aprovar nesse curto período de tempo, são a Reforma da Previdência, que a equipe econômica do governo Bolsonaro considera fundamental, a votação da Medida Provisória assinada por Temer que consiste no reajuste dos servidores públicos de 2019 para 2020, que economizaria aos cofres públicos R$ 4,7 bilhões; o Projeto de Lei 7180/2014, da Escola Sem Partido e a revisão Estatuto do Desarmamento, com o intuito de flexibilizar as regras para compra e porte de armas de fogo.

Segundo informações do site Estadão , o PSL reluta em apoiar Rodrigo Maia à Câmara. O partido já havia decidido não lançar candidato para a disputa, mesmo assim, em discussões internas, membros do partido preferem um líder com pulso firme. A proximidade de Maia com a esquerda também é vista com desconfiança. Um dos preferidos de Jair Bolsonaro é João Campos (PRB-GO) que é delegado e também pastor da Igreja Assembleia de Deus. O deputado integra tanto a “bancada da bala” quanto a frente parlamentar evangélica.

Além da pré candidatura de Campos, existem outros pré candidatos como Capitão Augusto (PR-SP), Arthur Lira (PP-AL), Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), Kim Kataguiri (DEM-SP) e Fernando Giacobo (PR-PR), o que comprova que até mesmo o Centrão está rachado com relação a Rodrigo Maia.

Para o Senado, a missão é um pouco mais difícil para Jair Bolsonaro. Nas últimas eleições o PSL conseguiu eleger 3 senadores, dentre eles, Flavio Bolsonaro, filho de Jair Bolsonaro. Porém o partido não possui força o suficiente para dar suporte a uma liderança de seu interesse, porque 1/3 da Casa ainda não chegou a ser votado, já que o Senado possui mandatos de oito anos.

Seguindo a tradição da Casa, a presidência costuma ser dada ao partido que tem a maior bancada. O MDB, partido de Renan Calheiros, possuía 19 senadores, teve o número reduzido para 12, mas ainda assim é o partido com o maior número no Senado. Atualmente quem comanda é Eunício Oliveira (MDB-CE) que irá deixar a Casa por não ter sido reeleito.

O que pesa contra a candidatura de Renan, são os 18 processos em tramitação, podendo torná-lo réu a qualquer momento. Isso o impossibilitaria de assumir o cargo que fica na linha sucessória da Presidência da República, pois a Constituição impede que um réu assuma.

Outros possíveis pré-candidatos ao Senado são: Tasso Jereissati (PSDB-CE), Cid Gomes (PDT), Simone Tebet (MS) e Esperidião Amin (PP-SC), esse último, visto com mais simpatia pela ala de Jair Bolsonaro. O Podemos, ensaia o lançamento da candidatura de Alvaro Dias.

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