Psicose dos Cabelos Brancos

Depois dos vinte e três anos, –que foi quando eu me tornei um pouco mais sociável e apresentável– me tornei bastante observadora e autocrítica com relação a minha aparência. O grande marco desse momento foi quando eu decidi que amaria o meu cabelo do jeito que ele é. Nunca pensei que voltaria a questionar esse assunto, exceto pelos seis fios brancos que eu me vi arrancando meticulosamente com uma pinça, esses dias, na frente do espelho.

Tenho consciência de que os anos passam, mas nunca, nesses vinte e seis anos eu tinha me sentido…velha. Mesmo com eventuais danças estranhas que eu me peguei fazendo, e certos deslocamentos em festas recentes que fui. Já que toquei no assunto, não posso deixar de mencionar as dores na coluna causadas pelas danças estranhas, os prováveis três dias para me recuperar de uma noitada muitcho louca e também pela falta de paciência que insiste em aparecer todos os dias — mas desse mal, eu acho que, atualmente, todo brasileiro anda sofrendo-.

Pois bem, quando me vi indo do quinto fio para o sexto, no mesmo setor da cabeça, me dei conta de uma maneira certeira, e um tanto quanto aniquiladora, de que sim, eu estou ficando velha.

A epifania se deu no dia seguinte quando, após o banho, eu estava fazendo a fitagem nos meus fios, e… Agora esperem eu respirar fundo. 
O que são esses novos fios brancos, meu Deus? Mas já? Então é oficial que começou o processo de maracujalização? Espera um pouco, eu ainda tenho que ser alguém na vida, e tenho tanta coisa para fazer! Como eu faço isso parar? Quais tintas, quais cremes, que criogênico líquido eu preciso passar para ganhar mais um tempo?

Pela primeira vez eu senti como se a minha juventude tivesse acontecido em algum lugar sem que eu estivesse lá. Como diria Belchior: “Socorro”.