Dois pesos para as mesmas medidas

Richa, governador do Paraná, justificou a ação da PM na manifestação de professores como uma resposta à presença de “black blocks”.

Beto Richa, governado do Paraná, tornou-se protagonista de um dos acontecimentos mais vergonhosos da última semana do mês de Abril. E, de quebra, nos deu uma oportunidade clara de enxergar a incoerência que seu partido, o PSDB, expõe nesses tempos de alto estresse político nacional. Diante da necessidade de recuperar o deficit nas finanças do estado, que ele mesmo causou, Richa enviou para apreciação dos deputados estaduais um projeto diminuindo os benefícios previdenciários dos professores das escolas publicas.

Contrariados, os professores entraram em greve. No dia 29, quando os deputados do Paraná votaram o projeto do governador tucano, os professores foram ao Centro Cívico de Curitiba, onde fica o congresso, para protestar e tentar acompanhar a votação. Não bastasse terem sido impedidos de entrar no congresso, os profissionais da educação foram brutalmente reprimidos pela Polícia Militar paranaense, que utilizou bombas de gás, balas de borracha e cães da raça pitbull para afastar os manifestantes. Como resultado desse massacre, aproximadamente 200 professores foram gravemente feridos e um repórter cinegrafista, além de um parlamentar, foram mordidos pelos cães da política. Quanto ao projeto: ele foi aprovado.

A repressão à manifestação dos professores no PR virou notícia até fora do País; os Secretários de Segurança e da Educação deixaram seus cargos.

Massacre à parte, a postura contraditória do partido de Beto Richa ainda estava por vir. A Presidente da República, Dilma Rousseff também precisou enviar Medidas Provisórias à Câmara dos Deputados, em Brasília, dificultando o acesso à alguns benefícios trabalhistas. O objetivo de Dilma era repor aos cofres públicos o valor gasto para conter a situação da economia do país, que já demonstrava sinal de desgaste no último ano de seu primeiro mandato.

Foram feitas notas falsas, chamadas de “Petro Dólar”, com a cara de Dilma, Lula e João Vaccari Neto (investigado na Lava-Jato) em protesto às medidas do governo.

A votação das MPs do governo federal se transformou em novo capítulo da novela que envolve a cisão entre o principal partido da base aliada, o PMDB, e o partido governista, PT. Mas foram as legendas de oposição que roubaram a cena. Diante dos holofotes da imprensa e contando com apoio de sindicalistas da Forca Sindical, contrária ao governo Dilma e ligada ao partido Solidariedade, os deputados da oposição bateram panela, trouxeram carteiras de trabalho e ironizaram a aprovação de medidas que prejudicam os trabalhadores e que foram propostas justamente por um partido que se intitula ‘Dos Trabalhadores’.

Tal contradição do governo federal existe e é tão inegável quanto exposta pela mídia. Porém, como fica a contradição do PSBD, principal partido da oposição, que mal se pronunciou sobre a conduta e as propostas de “ajuste fiscal” de seu filiado no Paraná, Beto Richa, ou se sensibilizaram com a situação dos professores? Quanto a isso, o silêncio reinou.

Apesar da preocupação, de ambos os lados, de promover a reorganização das finanças a qualquer custo, no caso da votação das medidas de austeridade do governo federal, o que estava em questão, de fato, era a oportunidade de explorar a baixa popularidade da Presidente, para desgastá-la mais ainda. Tal evento iria se juntar, na memória da população insatisfeita, ao escândalo de corrupção da Petrobrás, aos números da economia que prenunciam um 2015 de retração e as promessas não cumpridas na campanha à reeleição de Dilma. Como se esse tipo de postura também não existisse do lado deles.

E, mais uma vez, duas siglas que vivem as turras e insistem em se diferenciar, acabam por se mostrar mais semelhantes. Ambas atuam politicamente, procurando preservar os interesses de seu partido. Richa e Dilma foram reeleitos em 2014 — ele em primeiro turno — contudo, na hora de resolver os problemas que causaram, e sem contar com uma contraproposta menos nociva de quem os opõe, os dois líderes do executivo transferiram os custos para o bolso do contribuinte. É uma questão de parar e enxergar! Ainda assim, poucos parecem disposta a isso e se manisfestam ao sabor do que é repetidamente exibido.

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