Depois de um mês — Parte 2: Caroline Patrão — Trabalhando como modelo plus size na China

Seguindo nossa semana de entrevistas com nossas new faces em Guangzhou, voltamos para falar com Caroline Patrão sobre o mercado de moda plus size, a saudade do Brasil e sua nova perspectiva de trabalho depois de um mês em solo chinês.

RMM: Como você se tornou modelo?

CP: Eu nunca trabalhei como modelo antes. Eu sempre gostei muito de posar para fotos e quando criança fiz alguns bookings porque minha família achava que levava jeito. Depois na adolescência, fiz um workshop de modelo e ouvi que meu rosto era lindo mas meu corpo — por não ser magra — nunca venderia bem no mercado da moda. Eu fiquei muito chocada e impressionada com o comentário e nunca mais esqueci desse momento.

A partir de então, eu perdi um pouco o interesse de procurar qualquer coisa no ramo. Eu realmente achava que se eu trabalhasse com isso, eu não teria sucesso. Continuei meus estudos e comecei a faculdade. Depois de um tempo recebi uma mensagem da Sandra pela mídia social e contou um pouco do segmento plus size e da Rio Model Management. Conversamos bastante sobre a vida e carreira da Sandra. Meu pai tinha acabado de falecer e receber aquela oportunidade foi algo que me surpreendeu muito. Decidi aceitar o convite de vir a China e jamais poderia imaginar que isso aconteceria comigo.

RMM: Como você encara o mercado da moda sabendo que a preferência padrão é fashion e padronizadamente magro?

CP: Nossa, deve ser um imenso sacrifício ser padrão fashion, as modelos precisam sempre estar perdendo medidas e fazendo novas dietas. Isso é ruim pois você se torna escrava do próprio corpo. Comigo, sendo plus, não tem isso. Eu estou gostando muito desse trabalho! Eu sinto como se isso fosse uma resposta da evolução da aceitação de diversos padrões distintos de corpo. É mais um paradigma que se quebra! Precisamos ver o que é belo para cada um, como um todo. Eu encaro isso como uma oportunidade grande para mostrar para outras meninas que o padrão não é só um e as coisas mudam. O mercado plus cresce a cada dia mais e faz com que as meninas se aceitem melhor através da minha imagem. O empoderamento feminino foi muito importante pois deu voz a diversas meninas que antes não entendiam que eram absolutamente perfeitas como já nasceram — sem tirar nem pôr.

RMM: Como você se vê nesse mercado plus sendo uma ditadora de beleza? Você sente preconceito dentro da profissão?

CP: Eu já sofri muito por ser acima do peso, não na escola ou na rua, mas foi em casa mesmo. Todos diziam: ‘Você tem que emagrecer (…) imagina você no futuro!’, e isso me deixava muito chateada pois pensava que as pessoas deveriam me aceitar como eu era. Por isso, não me sentia bem com o meu próprio corpo pela visão da sociedade tinha sobre mim. Ter uma oportunidade de trabalhar com isso sendo uma modelo plus é maravilhoso.

RMM: Como você lida com castings na China e seus perspectivos resultados positivos e negativos?

CP: Castings me deixavam muito nervosa quando cheguei. No começo, ficava insegura. Estou sempre à procura de feedback para entender melhor a perspectiva do cliente para o trabalho — acho muito importante isso. Se, por um acaso, meu trabalho não atendeu a expectativa do cliente, é super importante estar ciente disso para que eu possa evoluir . Eu sou bastante perfeccionista então tento levar essa característica para minha rotina no estúdio.

RMM: E a rotina intensa de trabalho, como está se adaptando a isso?

CP: Estou me adaptando como posso nessa nova rotina. Como disse, esse processo ainda é bastante novo para mim. Os treinos são intensos e os dias de gravações podem durar até 10 horas de trabalho contínuo. É tudo muito cansativo mas, ao mesmo tempo, prazeroso quando você vê o resultado final e se sente mais confortável durante a sessão de fotos.

RMM: Sabemos a saudade bate forte! É difícil alcançar esse sonho sabendo que está tão longe de casa? Nesse momento, você conseguem ter a perspectiva que isso é uma oportunidade única em sua vida?

CP: Saudade é o que eu mais sinto e minha maior dificuldade. Tudo o que eu faço aqui, eu penso no Brasil. Sinto muita falta de todo mundo. Tenho a noção da dimensão do aprendizado que estou adquirindo, percebo que meu emocional amadureceu mas vou entender de maneira mais completa o que isso tudo significou para mim depois que voltar ao Brasil. Tudo na vida é aprendizado e tudo o que fazemos na vida devemos tirar lição disso.

A saudade as vezes é desesperadora, sinto bastante falta de todos na minha família. Tento dividir com eles o máximo possível da minha experiência, as fotos, vídeos de backstage, etc. Eu fico pensando em quanta coisa eu quero dividir com eles, inclusive com o meu pai, que já se foi. Ele me incentivava muito a seguir meus sonhos e penso como ele estaria feliz de me ver superando meus limites a cada dia e seguindo esse caminho.

Estar na China sozinha, passando por várias provações, é algo incrível e às vezes não acredito que a Carol “do passado” conseguiu fazer essa escolha. Eu sempre fui muito medrosa e muito conectada a minha família. A Carol do presente não acredita como conseguiu tanta coragem para passar por essas dificuldades e voar tão alto.

RMM: Já faz um mês que está ativamente trabalhando e morando na China. Qual é o balanço do primeiro mês? Os desafios, conquistas e planos para os próximos meses?

CP: Foi um mês de adaptação. Eu não tinha visão do que esperar com a vinda para China — foi realmente uma aposta grande. Eu cheguei e primeiramente já tive aquele baque tremendo. Eu passei tantas horas treinando, revivendo aulas de pose e ensaios fotográficos que comecei a falar dormindo as coisas que eu teria que fazer no próximo dia! (risos)

Entendo a responsabilidade do que é aceitar essa oportunidade e representar positivamente minha família, o país e a Rio Model Management. Essa ansiedade foi até positiva para minha chegada à China, pois me fez evoluir mais rápido no trabalho e ir em direção ao meu objetivo. Eu percebo que todo dia eu aprendo mais nos trabalhos e com o passar do tempo, me sinto mais familiarizada com o processo, quanto tempo preciso treinar, etc. Num futuro próximo, espero que meu emocional fique mais controlado, que eu me sinta mais firme no meu trabalho e confiante nos resultados. Quero sair daqui com o sentimento de dever cumprido!

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