“O Menino que Rio” é um gesto de amor aos rios urbanos

O Menino que Rio conta a história de todas as pessoas que ainda preservam um pingo de sensibilidade e coragem e estão despertando da relação esquizofrênica com as águas na cidade: aquela que teme a falta, reclama do excesso, acredita que chuva é bom mas atrapalha e que rio bom é rio enterrado.

“Papai! Eu ouvi o rio chorando… a gente precisa quebrar o asfalto…”

O Menino que Rio daqui para frente será nosso amigo e parceiro nessa tarefa de despertar o olhar de mais crianças e adultos. Talvez um dia, quando alguns milhões de pessoas descobrirem, verem e quererem nossos rios limpos e livres, novas decisões e investimentos sejam feitos para transformar nossa cidade em um lugar mais humano pela proteção de nossas águas.

Tudo começou quando José e Luiz se encontram numa cafeteria, em 2010. Entre um cafezinho e outro, conversaram de tudo um pouco. A cidade de São Paulo, onde os dois vivem, foi o centro do bate-papo. Luiz, geógrafo, falou de seus estudos e pesquisas sobre a hidrografia local. José, arquiteto e mestre em Aikido, relatou sobre sua paixão pela aprendizagem vivencial, aquela que envolve os sentidos do corpo. Quando Luiz contou que São Paulo tem uns trezentos rios sob suas ruas, José se surpreendeu e ficou instigado em saber mais.

Luiz abriu sua bolsa e colocou na mesa um desenho feito pelo geógrafo Aziz Ab’Saber. Um desenho que mostrava uma cidade azul, repleta de centenas de riachos além do rio Pinheiros, rio Tiete, rio Tamanduateí, rio Aricanduva, rio Ipiranga e mais alguns outros que muitos conhecem, e tem gente que acha que nem são mais rios de tão poluídos que estão. José não fazia ideia da presença de tantos riachos ainda vivos e escondidos sob a cidade e provocou Luiz para fazerem um passeio para explorá-los e ver de perto como estavam e por onde passavam. Tudo parecia meio inacreditável!

Marcaram a primeira exploração pertinho do Instituto Butantã e da USP, na Vila Indiana, próximo à casa de José. Num terreno abandonado reconheceram uma mata robusta que tornava a temperatura mais fresca, viram a presença de muitas taiobas — planta que precisa de muita água o ano todo — e lá descobriram o nascedouro de um pequeno riacho que logo chamaram de Iquiririm, que em tupi-guarani significa “Rio Silencioso”. “Isso não é justo. Vamos libertar esses rios!”, exclamou a dupla. José compreendeu depois de ver, ouvir, cheirar e tocar com suas mãos as águas do Iquiririm que a condição de abandono daquele pequeno riacho é a mesma condição perversa de todas as nascentes e riachos que “desapareceram” nos últimos anos sob ruas e avenidas.

Naquele dia, nasceu a parceria de José e Luiz, que chamaram de RIOS & RUAS.

Depois do passeio pelo curso do Iquiririm, decidiram fazer de tudo para contar essa descoberta em novas conversas e levar o maior número possível de pessoas para passear na beira dos rios, para sentirem a mesma alegria, a mesma tristeza e a mesma vontade de fazer algo. Sonhar grande, fazer pequeno e começar logo!

Gustavo Prudente, o Guga, foi uma dessas pessoas que um dia os acompanhou pelo caminho de um desses rios esquecidos. Sensível e inteligente, Guga sentiu a dor que sofre um rio que foi enterrado vivo. Uma semana depois ao encontrar José e Luiz ele disse: “escrevi um texto chamado O Menino que Rio,e se transformado em livro poderá ajudar a ‘limpar’ os olhos de crianças e adultos, assim como aconteceu comigo”.Como afluentes, uma ideia que vai crescendo e ganhando corpo, o trio encontrou Eliza Mania, Barbara Maués, Victor Farat, Vítor Massao, Muriel Duarte, Renata Polacow, Lilian Rochael, Flávia Bastos, Uriá Fassina e outros mais que ajudaram a dar vida ao livro.

Assim, O Menino que Rio é um convite à libertação da vida que não merece ser soterrada, à reflexão sobre todos os fluxos naturais que são represados e ao perdão pelas escolhas erradas que fizemos no passado. É um convite ao apreço e ao cuidado por todos os seres vivos. É um convite ao envolvimento com o lugar onde vivemos e ao futuro que podemos criar juntos a partir de uma consciência cada vez mais sistêmica, inclusiva e amorosa.

Convidamos você a estar conosco no lançamento do livro escrito por Gustavo Prudente, ilustrado por Victor Farat Ilustração e publicado pela Editora Evoluir.

Será no dia 9 de Março, quarta-feira, a partir das 19h. 
No Bistrô Ó-Chá — Rua Aspicuelta, 194, Vila Madalena.

Até lá!
 José Bueno e Luiz de Campos Jr.

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