Para leitura monogâmica

Quando digo que prefiro a transparência, a honestidade total e sem limites nas minhas relações, passo por muito pouco fixe (ou isso ou masoquista). Por vezes, até se afastam assim de repente, como se tivesse dito que os ia fritar em alho e azeite.

Talvez não me entendam bem, talvez pensem que, com isto, quero dizer que vos quero controlar, perceber tudo e dar aval. (Quão difícil é explicar isto ao lado monogâmico da barricada…)

Mas tentem compreender as premissas estabelecidas.

Eu não tremo de medo que te “roubem” de mim. Até porque ninguém me pertence e se te fores embora, vais pelo teu pé, não pela mão de alguém. Não há raptos nem resgastes em histórias de amor. Ainda te digo mais, satisfaz-me ver pessoas que amo felizes. E não altera em nada o que sinto por ti. Só me faz sorrir.

Eu também não sofro com medo de ficar sozinho. Lido bem comigo próprio, por vezes até prefiro. Se me sentir solitário, arranjo um gato para me fazer companhia (apesar de tu seres mais gato do que todos os gatos que eu possa arranjar na União Zoófila).

Também não tenho medo de te perder. Apaixono-me e atiro-me de cabeça mas também sou bem desapegada. Respira, não te quero a andar pelo altar abaixo, apesar de vestir muito branco (isso é mais para o estilo). Se ficar sem ti é porque tinha chegado a altura, só isso.

Mas também sei pedir e o que peço é pertinente e espero que saibas ouvir.

Peço a transparência, essa mesma, brutal e honesta.

Peço que me acompanhes no meu “pouco chill” quando digo que te adoro no terceiro encontro. Não te estou a querer prender, nem espero nada em troca. Expressar amor é bonito, deixa-me viver um pouquinho!

Peço que sejas compreensivo com o que me dizes. Pelo tudo que é implícito.

Peço que tenhas noção (e não me importo de explicar) que vivemos numa caixa. Animais sociais que somos, gostamos de julgar e, na grande maioria, reprovar. Vivemos e viveremos num mundo onde tudo é feito a dois e onde tudo o que sai desse numeral é considerado imoral. És olhado de lado e és julgado. Se sais nas revistas então imagina… Sabe que maior parte do julgamento não é natural mas o que não é natureza, é social. Somos criados assim, fabricados um após um e é expectável que sejas ajustado. Senão, reprogramado. Fuck society.

Peço que não me deixes sem saber o que pedir de ti. Deixar-me assim, só causa desconforto. O não saber o que esperar provoca comichão e deixa-me desconcentrada. Será que te posso ligar? Esperar isso de ti? Então e até onde queres ir? Tudo isto merece ser falado e negociado. As expectativas controladas… Expectativas criadas a solo por norma são as erradas. Tensão é criada. E as relações são suposto serem divertidas, não restritivas.

Com isto digo, espero que não me voltes a rejeitar por me achares demasiado para aguentar. Sou leve e fácil de levar, não quero prender nem largar. Quero só ser, ficar, respirar e viver. Um pouco a teu lado, um pouco a meu. Como planeado.