O vinil está morto. Viva o vinil!

Venda de discos de vinil batem pela pela primeira vez o mercado digital

Na década de 90, quando o mercado de música vivia o apogeu da era do CD, os donos de coleções de discos de vinil foram incentivados a renovar seu acervo pelo formato digital. ‘O vinil já era!’, profetizavam os gurus de então. O argumento usado era de que a qualidade do som produzido por um CD era muito superior a do vinil. (O tempo mostrou que a coisa não era tão simples assim)

Lojas de discos fecharam as portas ou migraram para a mídia digital, fabricantes de toca-discos (vitrolas?) deixaram de produzí-los e não demorou até que a industria que vivia de prensar discos também encerrasse as atividades. Não raro, era comum encontrar pilhas de vinis descartadas pelas ruas em lixeiras. Somente os sebos, aos trancos e barrancos, se mantiveram dispostos a comercializar um produto dado como morto e sepultado.

Há mais ou menos uma década, com a queda nas vendas de CDs que perdia espaço para o MP3 e outros formatos digitais mais baratos — e a iTunes Store teve papel central nessa guinada, mas isto já é outra história. –, um movimento de resgate dos LPs (long plays) começou a tomar corpo. Na época, houve quem apostasse que se tratasse de modismo, mercado de nicho — somente DJs, colecionadores nostálgicos e hipsters em geral se interessariam por uma tecnologia ultrapassada e pouco prática — e que a coisa com o tempo perderia fôlego.

Nesta semana, o jornal britânico The Guardian informou que pela primeira vez desde há muito tempo a receita com a venda de discos de vinil (£2.5m) superou a do formato digital (£2.1m).

No Reino Unido, berço e referência mundial para o mercado da música, as boas e velhas lojas que vendem exclusivamente discos voltaram a ser abertas numa velocidade impressionante. Outro fato digno de atenção é o público que frequenta estas lojas; ele não se restringe a sessentões nostálgicos, mas jovens, pais que levam os filhos pequenos para apresentá-los a novidade e toda sorte de pessoas ligadas à música.

Um LP lá no Reino Unido é vendido pelo valor médio de £25 (cerca de R$ 90). Já uma edição limitada pode facilmente custar £65 (aproximadamente R$ 217).

Fábricas voltaram a ser abertas só para atender a demanda de prensagem e até mesmo a Panasonic, detentora da marca Technics que é considerada pelo mercado “a Ferrari dos toca-discos” voltou a produzir uma serie especial desta pick-up.

O mercado da música vive agora a onda do streaming, serviços pagos onde, virtualmente, temos um mundo de opções para ouvir em qualquer lugar bastando para isto um celular ou gadget conectado à internet. A qualidade destas ofertas é excelente mas o excesso de virtualidade traz de volta uma necessidade tão antiga quanto a condição humana: tocar o objeto, ter em mão algo tangível que possa ser manuseado, lido, apreciado e curtido, tal como faziam nossos pais quando compravam o bom e não tão mais velho disco de vinil.

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