TRY

Estes dias, através da minha filha pré-adolescente, descobri uma música da geração mais nova que me chamou atenção, primeiro pela melodia, depois pela letra. A música se chama TRY (tentar), e a cantora, Colbie Caillat. Vale a pena reproduzir duas estrofes mais significativas, primeiro na letra original e, na sequência, em português.

“Put your make up on

Get your nails done

Curl your hair

Run the extra mile

Keep it slim so they like you

Do they like you?

(…)

You don´t have to try so hard

You don´t have to give it all away

You just have to get up, get up, get up, get up

You don´t have to change a single thing”

“Coloque sua maquiagem

Faça as unhas

Enrole o cabelo (se bem que em São Paulo estaria mais para alise o cabelo…)

Corra um quilometro a mais

Continue magra para que eles gostem de você

Será que eles gostam de você?

(…)

Você não precisa se esforçar tanto

Você não precisa entregar tudo

Você apenas precisa se levantar, se levantar, se levantar

Você não precisa mudar nada”

No videoclipe da música, mulheres com biotipos diferentes, vão se libertando das regras da sociedade, como uma negra que solta o seu cabelo armado, constantemente preso; uma senhora que assume seus cabelos grisalhos; uma mulher careca devido ao tratamento de câncer que tira a peruca e assume seu estado do momento. E todas as regras de maquiagem, fazer a unha, ficar magra são para que gostem de você. Mas eles realmente gostam de você? Será que moldar as pessoas em um determinado padrão para que elas se sintam aceitas é deixar que ela expresse seu verdadeiro eu, sua real identidade?

Algumas pessoas conseguem se livrar destas amarras e padrões quando atingem o sexto e o sétimo setênio de vida. Mas dificilmente um adolescente ou jovem, que está tentando se encaixar no mundo, assume sua real beleza, pois ele quer mais do que tudo se encaixar nos grupos sociais que adentra. Ser diferente é se sentir excluído, é chamar atenção pela diferença de padrão. Na verdade, eles principalmente refletem um padrão que os pais apresentam e representam, já sem se questionar.

Na minha percepção, as pessoas que mais chamam a atenção por sua beleza, autoconfiança e personalidade são as que assumem, orgulhosamente, seu próprio eu. Uma colega de escola da minha filha, negra, assumia desde pequena seus cabelos enrolados e armados, sempre com muito orgulho, estimulada pelos pais que também adotavam a mesma postura. Uma amiga “fofinha“ para os padrões da sociedade é alegre, divertida e superbem resolvida sexualmente. Um estudante nerd que também toca guitarra, canta e faz teatro acaba se tornando popular e respeitado por todos de sua classe.

O que eles têm em comum? Não mudam nada o seu jeito de ser… Not a single thing….