2017 tem sido um ano de merda…

Rita Garrido
Jul 30, 2017 · 2 min read

Uma livre adaptação do início de “A Casa”, crônica de Eduardo Galeano em “O Livro dos Abraços” me trouxe até aqui e deu nome à minha primeira escrita. Ele, o autor, diz que “1984 tinha sido um ano de merda”, porque infartou e operou as costas. Helena, sua esposa, perdeu um bebê e a roseira da varanda secou, assim como todas as flores regadas diariamente. A casa, segundo o escritor uruguaio, parecia maldita. Tem ano que é casca mesmo.

Galeano escrevia sobre suas dores, seus amores e suas andanças.

Escrevia! Porque era escritor, ou talvez porque precisava exorcizar tudo que via, sentia, ouvia e sabia.

Escrevia! E até voltava atrás criticando suas escritas.

Escrevia! E já se vão alguns anos que me encanto e me inspiro com tal escrita.

Escrevo!

Porque não bastando os golpes políticos na pátria mãe gentil, teve golpe amoroso. Logo no amor, que era sucesso garantido segundo as previsões do astrólogo mais famoso do Brasil: João Bidu. Aliás, acho que horóscopo é um gás diário na autoestima. A procrastinação começa com um copinho de café e uma lidinha nas previsões do dia, assim como quem não quer nada. Promete altas paqueras, amores impossíveis e relações plenas, sem contar os conselhos financeiros e de saúde. Nunca, jamé, deixa que o desânimo tome conta da gente. Se hoje está ruim, amanhã vai ser outro dia. E em tempos de crises e reinas, iludir-se é uma forma de seguir.

Mas sem perder o foco…o ano do Galo de Fogo, segundo o horóscopo chinês, ou o ano 10 na Cabala, ou também o ano da Fortuna, enfim…2017, deu seu grande gancho nesta semana, dizendo que um jornalista e “amigón”- como fala um amigo chileno - deu entrada no hospital.

Um AVC lhe tirou a fala.

Logo dele, que proporcionava o melhor chimarrão sindical, seguido das dicussões políticas mais acaloradas que uma sala de imprensa já viu. Ele, que dava as maiores explicações do universo buscando defender uma posição…ou apenas tentando impedir mudanças em suas produções jornalísticas. Ele, que me deu formação nas incontáveis manhãs de explicações sobre a rotina do Sindicato e a importância da luta sindical.

Ele calou, deixou de dizer!

Mas eu digo, sem provas mas com convicção, que o amigo sai dessa encrenca logo mais. E volta pra contar seus atrasados, suas novidades, suas teses e ensinar receitas. E que sigo por aqui, exorcizando com a escrita os ventos ruins do ano. Porque no fim das contas, a gente até tenta, mas 365 dias é tempo demais pra ser feliz em sua integridade.

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