O Todos O Afeto O outro

“Quando somos amorosos somos mais ‘inteiros’; o amor nos une, nada mais nos falta em nós mesmos, tudo está voltado para o Outro. ” Jean-Yves Leloup

Afeto, tratamento, teorias psicológicas, psicanalíticas, filosóficas ou outras de qualquer natureza, assumem uma nova e outra dimensão na Casa do Todos.

É muito importante conhecer o quase tudo que já foi ensinado, estudado ou testado. Entretanto quando ficamos de frente com um ser que é semelhante a todos nós em sua essência, mas que por alguma questão não encontra um lugar no mundo, fator ampliado devido sua suposta deficiência (muito embora todos nós vivamos em nossas buscas individuais por este lugar, pelo menos em algum momento de nossas vidas), novas formas de encarar a existência se apresentam.

A propósito: qual é o meu lugar no mundo? E o teu? O que é um lugar? O que o mundo espera de mim, de nós? Um mundo de gente e de pessoas espalhadas pelo planeta, sem um lugar. Será que podemos ajudar um semelhante a encontrar o seu lugar se nem ao menos conhecemos ou encontramos o nosso?

Quando cuidamos ou tratamos de uma pessoa em suas necessidades, sejam quais forem, quem realmente está sendo cuidado ou tratado? Neste campo não há espaço para a prepotência, teorias melhores ou menos melhores, mas olhares predispostos dentro de uma amorosidade nata, que não necessita de treinamentos, pois na mesma medida em que ensinamos somos também aprendizes. A forma participativa de cuidar na Casa do Todos, onde a convivência nos permite o envolvimento constante entre cuidadores, terapeutas e aqueles que lá comparecem para serem tratados, permite penetrarmos de forma natural nos vários universos, cada um com sua história, suas dúvidas, seus medos, para perceber que todos, todos nós estamos envolvidos num único movimento.

Cuidar é uma arte, já disse Leloup, onde aprendemos fazendo, experimentando, escutando. Através do exercício da escuta uma via natural se forma, uma via que faz ligação entre dois estados amorosos, prontos para dar e receber, que se fundem e se tornam um só. Assim um processo curativo é possível, se esta for a intenção. Afinal podemos até nos perguntar: mas curar de quê e para quê? Quem está doente?

Afeto e cuidado caminham juntos, um faz parte do outro dentro do Todos. Nos encontramos no encontro com o Outro.

(Texto publicado originalmente na Revista Celebrar da Casa do Todos, 2016)

Riva D. Christofoletti