De olho no líder comunitário 2.0

Escrevi este texto, publicado no blog da JeffreyGroup, há um tempinho, mas ainda gosto muito dele.

Com a ampliação do acesso à internet e o crescimento das redes sociais, todo indivíduo é uma mídia em potencial. No Brasil, terceiro país em número de usuários no mundo, o Facebook tem mais de 61 milhões de perfis e grande parte deles está diariamente engajada, de alguma forma, na rede social. Online, a teoria dos 6 Graus de Separação entre cada pessoa no mundo é ainda mais inquestionável, ao passo que os amigos em comum são constantes e inusitados. Mas o que faz com que uma pessoa comum se torne uma web celebridade ou um influenciador digital?

O pesquisador de Comunicação Manuel Castells acredita que a sociedade em rede não é uma novidade, mas a internet como suporte desta relação, sim. Dessa forma, podemos ponderar que o diferencial que faz com que um entre milhões de usuários das redes sociais seja reconhecido como um influenciador passe pelo mesmo processo de validação pelo qual, há séculos, passava o líder comunitário, descrito pelo jornalista e pesquisador Luiz Beltrão como uma figura que consegue repassar a mensagem decodificada. Ou seja, suas mensagens são facilmente entendidas por sua comunidade e por isso se torna respeitado pelas pessoas com as quais está ligado.

Assim como sempre aconteceu no ambiente off line, as comunidades virtuais se juntam por afinidades, de forma que os discursos se identificam e produzem sentido. Segundo o linguista francês Patrick Charaudeau, o discurso é sempre situado em seu contexto histórico e social, sendo uma representação da realidade e não seu espelho. Ele só faz sentido quando decodificado pelo receptor. Assim, as mídias sociais abrem espaço para que a informação se transforme em comunicação, ao passo que o receptor tem espaço para o diálogo e feedback.

Trabalhar a comunicação com o intuito de que esses líderes comunitários 2.0 sejam impactados e amplifiquem a mensagem para suas audiências é um dos grandes desafios das relações públicas. É preciso um exercício para abandonar a forma convencional e massiva de falar com os veículos de mídia tradicionais e se voltar para a individualização para atingir o público pretendido, a fim de qualificar antes de quantificar.

Nenhum ato de comunicação está previamente determinado, já que para haver comunicação (que vai além da informação) é preciso ter um diálogo entre emissor e receptor, o que pressupõe entendimento do discurso. Quanto melhor o emissor explorar e conhecer seu público-alvo, mais assertiva será a comunicação, diminuindo o número de interpretações possíveis.

Dessa maneira, sai na frente quem decifrar o enigma da nova comunicação e como criar um diálogo com o novo formador de opinião, tendo em mente que este nem sempre é um jornalista de formação, mas de alguma forma um expert no assunto que interessa ao seu público e pode ser usado como um canal de amplificação da mensagem. Está lançado o desafio.

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