Quais as Causas do Crime ? Ninguém Sabe e Não Importa.

Fizemos uma reunião para falar de segurança pública. Como sempre acontece, alguém perguntou se não vamos atacar as “causas do crime” em vez de cuidar apenas dos “sintomas”. Uma senhora fez um pequeno discurso sobre a necessidade de construir “quadras esportivas” nas áreas carentes. Vamos lá.

Como diz Thomas Sowell, não interessam as “causas” do crime. O crime é uma escolha do indivíduo. Cada crime tem uma causa diferente. Alguns criminosos matam por prazer, outros porque desprezam a vida humana, outros por doença mental, outros porque desejam dinheiro ou bens e não se incomodam em ferir ou matar para consegui-los.

Por que o sujeito enfia uma faca no pescoço de uma mãe, na frente da filha de 7 anos ? (https://goo.gl/3eLjG2). Que diferença faz saber o porque ? A causa pode ter sido hábito, uso de drogas, perversão moral ou embriaguez. O que faz diferença é isso: se esse assassino for julgado e condenado a, por exemplo, 12 anos de prisão, ele só ficará 2 anos – um sexto da pena – atrás das grades. Depois voltará às ruas, onde poderá, um dia, cruzar com você ou um filho seu.

Prender criminosos violentos não é “cuidar apenas dos sintomas”. É o básico da segurança pública.

Ninguém dá um tiro na cabeça de um pai de família para roubar um celular porque está com fome. Ninguém estupra porque não teve educação. Ninguém mata os pais, ou coloca um jovem em uma caixa e toca fogo, ou joga a própria filha da janela, por falta de quadras esportivas.

Se você quer ajudar os pobres, faça-o (1). Mas pare de achar que é assim que se combate o crime. Riqueza sem lei e ordem só significa mais violência. Foi o que aconteceu no Nordeste: nos últimos anos a pobreza diminui muito enquanto a criminalidade chegou a níveis de zonas de guerra.

Se não tivermos a coragem moral de exigir a prisão e a punição dos bandidos, todas as nossas ações de combate ao crime terminarão na mesma mistura de coitadismo, vitimização dos criminosos e assistencialismo. E no assalto violento de amanhã.

Precisamos de uma polícia assertiva e eficiente, de uma justiça criminal rápida e com bom senso, de leis penais justas e severas e de um sistema penitenciário que garanta o cumprimento das penas.

Mas, acima de tudo, precisamos de cidadãos com as ideias certas na cabeça.

Sem isso, seremos eternamente um brinquedo nas mãos de “intelectuais” ignorantes, políticos populistas e “lideranças comunitárias” em busca de voto fácil.

Quadras esportivas são para praticar esporte, não para combater o crime.

Não importam as causas do crime. Importam as consequências.


Notas:

(1) Um país se desenvolve reduzindo a máquina do Estado, acabando com os monopólios, reduzindo os impostos e a burocracia, garantindo uma justiça rápida e eficiente e deixando empresas e pessoas livres para empreender. Nada disso existe no Brasil.


Roberto Motta é escritor, empreendedor e professor. Seu livro “Ou Ficar A Patria Livre” tem um capítulo dedicado a desmistificar as mentiras e chavões ideológicos que nos ensinam sobre o crime.

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