Casa Escura

A casa está escura. Não é possível ver nada, os únicos guias são minhas mãos que tateiam pelas paredes e tentam identificar cada móvel ou obstáculo à frente.

A cada toque, busco na memória que objeto teria aquela textura, ou ainda, a posição que ele ocupa no espaço.

Andar sem ver é uma tarefa difícil, torna os lugares mais conhecidos em uma selva, nos dá a impressão de que os caminhos que já trilhamos antes, são completamente novos.

O escuro tira a sensação de conforto, faz o arrepio subir na espinha, e um peso se instalar nas costas, mas principalmente, deixa as dores, os problemas e a normalidade assustadora.

Crescer é na maioria das vezes andar por uma casa escura. Você conhece caminho, já viu pessoas percorrerem-no, mas a cobrança constante, a pressão de ser sempre bem-sucedido, e o peso de cada comparação, acaba cegando e distorcendo a imagem nítida que antes os olhos otimistas e sonhadores conseguiam enxergar.

Entrar na vida adulta para muitos significou abandonar os sonhos projetados, as metas estabelecidas e jogar-se de cara na completa escuridão.