Carta aberta aos escritores

Somos donos de milhares de vidas. Possuímos, na palma das mãos, o poder de decidir o que fazer com aquela história. Construímos reinos gigantescos. E assim nos acostumamos a sempre ter o controle da situação. Mas às vezes a casa cai! O castelo desmorona, o reino se desfaz. Um dia você olha pra si e percebe que pouco sabe. De tanto olhar pra alma dos outros, se esqueceu de cuidar da sua.

Logo você, acostumado a tomar conta de vários personagens ao mesmo tempo. O cara que conhece os pensamentos de dezena de criaturinhas. Você, que é acostumado a saber tudo que se passa dentro das entrelinhas. Logo você, escritor, que é tão “sabe-tudo”, esqueceu-se de saber quem é Você.

Logo eu, que criei personagens super complexos, que recriei cenas nos seus mínimos detalhes. Eu, que sei como é ser rei, príncipe, duende e guerreiro, esqueci-me de saber quem eu sou. Eu, escritor de história que se esqueceu de escrever a sua. Dono de páginas e páginas, que não sabe onde colocar o próximo ponto na sua pobre vida. E durante todas as horas focadas nas minhas invenções, esqueci de me reinventar. Logo eu, poeta, não aprendi a amar.

Logo nós, criadores de dezenas de história de amor. Donos de romances deslumbrantes. Pai daquele personagem que sabe tudo o que fazer. Nós, que sabemos fingir sentimentos, esquecemos de aprender a sentir. Você, escritor, criou tantas vidas e se esqueceu de viver.

Logo você, escritor… Logo você!

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