Uma coisa é certa: todo mundo tem um lado negro.
Somos todos humanos, nascemos nus não só de roupas, mas de todos os conceitos. Nascemos como um livro em branco, e muitas vezes rasuramos a escrita — e são essas rasuras que merecem a atenção necessária pra serem consertadas.
Elas são nosso lado negro. A rejeição, a troca, o pai que não tava presente, a mãe que abandonou, a baixa auto estima, tudo. Ninguém é perfeito. Mesmo. E nessa sede frenética de que temos que ser perfeitos, esquecemos que temos defeitos, facetas que não gostamos em nós mesmos, esquecemos de dar uma atenção maior a essas rasuras e tentar consertá-las.
Algumas perduram por muito tempo até alguém vir e jogar a página na nossa cara, perguntando que raios de rabisco é aquele no meio de um texto tão lindo. São essas pessoas que temos que manter por perto — elas enxergam as poucas tentativas que tivemos em deixar aquilo melhor e falhamos.
Quando entendemos onde erramos, quando abraçamos nosso lado negro, conseguimos sacar o ponto onde isso aconteceu, onde começou e então elaboramos uma estratégia de conserto. Raras vezes conseguimos sozinhos — por isso é tão importante a presença de pessoas em que confiamos.
Ontem compartilhei um texto — que nada tem a ver com isso, mas a frase da mãe que o escreveu tocou fundo. Era algo como “meu filho fica no meu colo enquanto faço compras, mimo sim, porque ele precisa saber que pertence, que está seguro, que existem pessoas que o amam e a quem ele pode pedir ajuda” [era uma criança bem pequena, que ficou 10 meses na UTI e, se não me engano, adotada].
A empatia faz o que essa mãe faz. As pessoas que têm empatia por nós dão um abraço confortante, dispõem o ombro amigo, mostram sempre que estão ali e ao invés de brigar e descreditar nossas atitudes, perguntam o que sentimos, por que e o que queremos ou esperamos.
Abracemos nosso lado negro, reflitamos sobre tudo de ruim que temos e, mais importante ainda que tentar resolver por nossas próprias mãos, compartilhemos com quem confiamos. Só essas pessoas podem brigar conosco e ainda assim deixarem clara a boa intenção por detrás.
Sempre aconselho a procura de um psicólogo, porque nos dias de hoje é praticamente a única pessoa que realmente tem tempo de ouvir nossas lamúrias e, de quebra, estudou pra poder ajudar da forma correta e eficaz.
Eu gosto de deixar meu ouvido disponível pra quem confia em mim. Além de relevar que todos temos problemas, em dias que ninguém parece tê-los, eu reflito sobre a situação do outro e aprendo muito.
Por mais que você não tenha a solução, servir de apoio pode ser um ganha-ganha.