Mulheres necessárias

Eu sempre tive fascínio pelo universo feminino. Meus ídolos sempre foram mulheres, cresci ouvindo a minha pra sempre musa PJ Harvey, Tori Amos, até Le Tigre e todas essas bandas alternativas Riot Grrls. Na literatura, não foi diferente. Por acaso do gosto literário do meu pai, minha primeira memória literária é com os “Cânticos” da Cecília Meireles, e uma vaaasta coleção da Agatha Christie, que ele recebia através do Círculo do Livro.

Aos poucos, fui fazendo minhas próprias descobertas, e me encantando por Ana Cristina César, Sylvia Plath, Virginia Wolf e, na música, até Britney Spears (sim, eu sei). Juntando uma paixão pessoal por documentários, acabei me deparando com outros nomes, tão ou mais importantes quanto, pouquíssimos mencionados (ao menos, entre os grupos que frequento). O que me inspirou a fazer essa mini sugestão com duas mulheres necessárias para inspirar e para entender onde estamos e como chegamos no atual patamar de possibilidades infinitas (não com menos lutas, mas com muito mais degraus andados que nossas ancestrais, graças a elas).

Sister Rosetta Tharpe

Considerada a mãe do Rock, ela era uma cantora e guitarrista Gospel, que viajava os EUA misturando as músicas Gospel com o estilo Rock, nas suas composições. Era conhecida por já tocar guitarra elétrica, isso na década de 30, após passar os anos 20 tocando jazz e blues escondida da família religiosa. Foi a primeira cantora americana a fazer uma turnê nacional com outra mulher, a Marie Knight. E entre os artistas que a tiveram como influência, estão ninguém menos que Johnny Cash, Elvis Presley, Jerry Lee Lewis, Isaac Hayes e Aretha Franklin.

No youtube, você pode assistir um documentário bem incrível sobre a vida e carreira da Tharpe.

Violette Leduc

Escritora francesa conhecida por ter sido pupila da Simone de Beauvoir que, após ler o rascunho do seu primeiro romance, a incentivou a escrever sobre suas intimidades, que incluíam a relação de dependência com a mãe, as experiências afetivas e sexuais com outras mulheres, e outros tópicos tabus nos anos 40.

Violette tinha uma autoestima baixíssima desde a infância e conseguiu, com algum esforço e incentivo externo, se apoderar disso para escrever seus romances que foram tidos como os que mais explicitavam os desejos e anseios femininos, naquela época. Ela se apaixonou por Simone de Beauvoir, porém não foi correspondido, o que fez com que ambas permanecessem nesse caminho de tutor — aluno.

Seu livro mais conhecido foi “A Bastarda”, no qual ela conta como foi crescer filha de mãe solteira, em uma época em que isso era considerado quase uma maldição. Outros livros seus sofreram censura por explicitar cenas sexuais entre mulheres, o que teve um preço muito alto para ela, que disse se sentir “amputada”. Eventualmente, as partes censuradas foram reunidas e transformadas em um só livro, que ganhou a mesma notoriedade das suas outras publicações.

Seus livros são difíceis de encontrar no Brasil, o que é uma pena, principalmente pra mim que ainda não leio em francês. :( Aliás, se alguém souber onde / como / quanto, por favor, sinalize. ❤

Em 2013, a escritora ganhou um filme-biografia escrito e dirigido por Martin Provost. O longa foi intitulado Violette, e eu consegui assistir recentemente (janeiro 2016), em um dos canais da Telecine.

Seus títulos lançados são:

  • L’Asphyxie, 1946.
  • L’affamée, 1948.
  • Ravages, 1955.
  • La vieille fille et le mort, 1958.
  • Trésors à prendre, suivi de Les Boutons dorés, 1960.
  • La Bâtarde, 1964.
  • La Femme au petit renard, 1965.
  • Thérèse et Isabelle, 1966. (que reúne as cenas lésbicas censuradas em Ravages)
  • La Folie en tête, 1970.
  • Le Taxi, 1971.
  • La Chasse à l’amour, 1973.