Tempos tenebrosos estão a caminho

Um cenário apocalíptico se aproxima e eu ando bem apreensiva com isso. A limitação de dados na internet, se rolar pura e simplesmente como estão anunciando, vai ser uma mudança extrema em como trocamos informações no país. Certamente seguiremos o mesmo comportamento que temos com a internet do celular, focaremos em bate-papo e nas redes sociais que fazem convênio com as provedoras e deixam o acesso gratuito a seus serviços. A primeira coisa que vem à cabeça, claro, são os serviços de streaming. Spotify e Netflix vão pro saco. Mas daí também vão todos os cursos de línguas, ciências, corte e costura e etc. veiculados online por universidades e outras instituições públicas e privadas.

Só que isso é só o começo. Em pouco tempo vamos parar de acessar portais alternativos de notícia, como Agência Pública, Ponte Jornalismo e afins, com seus infográficos lindos e vídeos informativos para economizar nossos dados para a diversão após o trabalho, vendo memes nas redes sociais, porque ninguém é de ferro. Coberturas ao vivo de manifestações, eventos e tal, babau. Quem vai comer a internet toda vendo um cara da Mídia Ninja filmando correndo no meio da rua? Blogs e sites independentes? Já era. As mídias tradicionais devem fazer planos gratuitos casados com suas próprias operadoras e teremos uma versão oficial no fim do dia.

E não para por aí. Sabe aquelas campanhas legalzudas dos amigos que produzem quadrinho, cinema, seilamaisoque independente e fazem texto, vídeo e galeria de imagem pra gente ficar olhando e decidir se ajuda ou não lá no Catarse? Nos meus trezentos mega acho que não vão rolar. Daí todos os sites de editoras independentes, aqueles catálogos lindos de coisas que não achamos nas livrarias, não vão ter um espaço nas nossas prioridades internéticas, que incluem e-mails de trabalho, operações bancárias, conversas com amigos e familiares distantes e por aí vai.

E o tão aclamado empreendedorismo, que fez tanta gente abrir seu negócio online? Ai ai. Consultorias, blogs de coaching, e-books, além de todas a editoras independentes de quadrinhos, lojas de artesanato de pessoas físicas, sério, quem vai ficar fazendo pesquisa na internet se nem sabe se vai comprar, mas tem certeza que vai pagar pelos dados que passarem da sua franquia?

Ando tão angustiada com isso, que tenho evitado pensar no assunto. Eu vivi no tempo antes da internet e não sei se dou conta de voltar para os anos 1990. E olha que isso foi aprovado por uma agência reguladora de um governo espinafrado pelos conglomerados de comunicação, imagino que um governo que comece exaltado pelas mídias tradicionais não vá rever isso.

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