> E M P O D E R A <

11 de agosto.

Conhecido antigamente como dia do pendura.

O famoso dia do advogado.

Exerço a advocacia há quase 5 anos, mas foi ainda na faculdade quando me vi incomodada por algo que não fazia muito sentido aos meus olhos:

O advogado (ou a advogada) tem de ser meio para o cliente alcançar seu direito já violado ou prestes a ser violado, certo?

Atividade meio. Isso a gente aprende cedo. Não posso garantir resultado para o meu cliente, afinal, o tão falado “êxito” — ou só o ganho de causa, mesmo — depende de inúmeros fatores alheios à minha vontade, à minha dedicação e zelo pelo caso específico. Depende do juiz, do promotor, do cartório, das decisões dos tribunais superiores (que mudam o tempo todo) e às vezes até de sorte.

Garantir resultado é antiético, uma vez que ilude o cliente.

Ética. Falaremos disso também.

Então, na faculdade acabei aprendendo a falar de uma forma que o meu cliente não entende. Ele/a quase precisa de tradutor pra conseguir ler e/ou compreender o que nós, desse mundo à parte — advogados, juízes, promotores, delegados, juristas — falamos.

Meus amigos frequentemente me chamam pra eu ajudá-los a “decifrar” o que acontece nos seus processos.

Como alguém contratado para assegurar um direito que não lhe pertence vai se comunicar com o dono desse direito numa língua que esse último não entende?

Comunicação não é o que eu falo, é o que você entende.

Então como que o dono do direito não entende o que o intermediário fala ou faz?

Se nós, advogados, somos indispensáveis à administração da justiça, como está inscrito na Constituição Federal, acredito que nos fazer entender é premissa básica.

Algo indispensável não pode ser inatingível. Não pode ser tratado como superior, apenas por deter um conhecimento que outros não tem.

Na minha visão, ao advogado cabe o processo, mas o direito material, isto é, aquilo que de fato é direito ou dever de cada um de nós merece ser disseminado e ser de conhecimento de todos e de cada uma das pessoas e cidadãos brasileiros.

Uma vez que as pessoas estão mais antenadas do que é permitido ou não, por lei, costume ou princípio, mais EMPODERADAS elas estarão para fazerem a diferença em seus círculos.

E COMO eu acredito numa mudança substancial na nossa sociedade se cada um/a fizer a sua parte na sua comunidade!

Apesar de EMPODERA já estar um termo um tanto quanto batido e, às vezes, ligados a temas como o feminismo, não encontrei nome melhor para ressaltar o quanto TODO PODER EMANA DO POVO (art. 1º, §1º da Constituição Federal). A gente cria autonomia quando acredita e exercita o poder de mudar a nossa vida e a vida daqueles à nossa volta.

Que esse 11 de agosto seja o início de uma advocacia diferente!

Uma advocacia mais informal, mais horizontal, mais inclusiva e acessiva.

O Direito não precisa ser chato, nem burocrático!

E se a gente conversasse sobre temas importantes ligados ao Direito de uma forma leve, descontraída, numa linguagem simples e informal?!

Vamos juntos?