Em 2015, escrevi sobre o ataque à sede do jornal Charlie Hebdo em Paris.

Hoje, o mesmo post continua se encaixando, a todo tipo de assunto.

As discussões não são pessoais, dirigidas a um público que pense x ou y. As discussões são dirigidas a refletir sobre o tópico em si. Pessoalizar é o que nos afasta de um diálogo construtivo. 
Exemplo: quando falo de religiões, não estou me referindo especificamente à sua religião e com a intenção de lhe atingir (pro bem ou pro mal) pessoalmente na sua crença. Estou debatendo o tópico. Quem pratica uma religião especifica deve entender (pelo bem da convivência) que cada um tem suas preferências e crenças e ninguém é obrigado a concordar com o que você acredita. Mas é dever respeitar. 
E isso se aplica a todo e qualquer tópico: orientação sexual (esse termo é correto, aliás?), orientação política, forma de trabalhar, forma de se relacionar, etc. 
O que nos difere são as prioridades, fundamentalmente. Por vezes, os valores. 
Mas não cabe mais desrespeitar o outro porque ele pensa, sente, acredita ou gosta de coisas diferentes que você. 
Não tem mais espaço pra isso, sabe?!
A gente NÃO PRECISA concordar. 
Mas isso não abre brecha pra pensamento racista, machista, misógino, homofóbico, xenófobo, ou qualquer outro tipo de pensamento que DESRESPEITE o outro. 
Repito: não tem mais espaço, em pleno séc. XXI, com todas as tecnologias e avanços, com as novas gerações vindo cada vez mais livres de conceitos pré-estabelecidos (aleluia), não tem mais espaço pra não termos aceitação com o modo diferente de viver do outro. 
É inadmissível.

“Depois dos atentados em Paris, uma enxurrada de posts falando sobre o mal causado pelas religiões e/ou pelo fanatismo religioso inundou minha timeline (provavelmente a tua também). Ateus contestando cientificamente e usando da lógica para dizer que acreditar em algo que não pode ser provado por meios tradicionais, não faz sentido. 
E eu, como de costume, me sentindo cada vez mais incomodada com tudo isso e na necessidade (provavelmente tola) de escrever que: não é a religião a culpada pelas mortes a nível mundial e desde o começo da humanidade. Nem mesmo o poder, a política, o dinheiro, a influência ou a fama. A culpa dessas atrocidades acontecerem é da incapacidade de se ver, enxergar e reconhecer no outro. É falta de amor, compaixão, respeito e empatia. E isso não tem cor, raça, credo, religião, nível social que defina. E pode ser ensinado. Ninguém nasce odiando o outro. Somos ensinados a odiar o que quer ou quem quer que seja.

Não foram muçulmanos que praticaram o ato terrorista. Foram pessoas que se esconderam atrás de sua religião para tentar justificar sua covardia, sua incapacidade de enxergar-se no outro — e a gente faz isso todos os dias em graus bem pequenos, desde a briga no trânsito até o não olhar nos olhos do mendigo que pede esmola.

Que a gente consiga cortar esse círculo vicioso de ódio e deixe de dissipar preconceitos contra pessoas por qualquer que seja sua condição pela qual a gente não concorda ou simpatiza — seja religião, orientação sexual, ideologia política, nível ou status social, etc.

E que a gente não tente impor as nossas crenças — ou a falta delas — pros outros e nem julgue ser mais inteligente por pensar diferente. Que apenas respeitemos. E que a gente consiga se enxergar e se reconhecer no outro.

O desafio e a beleza estão nesse detalhe. Conviver apenas com pessoas que pensam como nós seria muito fácil e, cá entre nós, chato e sem graça.”

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