Quarto de hotel — Parte II

Ela veio em minha direção com os seus olhos azuis, como uma predadora. O tempo pareceu parar.
Meu corpo entrou em estado de alerta e deixe-me levar por incontáveis sensações que passeavam desde o meu estômago, à minha garganta seca. Observei o seu semblante, perfeitamente desenhado à penumbra, vir à minha direção.
— Céus… — deixei escapar num sussurro áspero e aflito. Ela puxou-me para si, fixando o seu corpo quente no meu. Senti o seu roupão de seda envolver-me num abraço lento, mas repleto de pressa.
— Sabe, Thez… — ela disse enquanto deslizou a ponta dos seus dedos entre a minha costa nua. Senti cada toque como uma onda elétrica invadir a minha pele sensível — Você é tão linda, assim, exposta — ela circundou o meu mamilo esquerdo, deixando o rastro das suas unhas vermelhas. Meu estômago contorceu-se em deleite com o som daquelas palavras. Você não tem ideia do quão poder tem sobre mim, meu deus… — pensei, perdendo o controle dos meus batimentos cardíacos.
Meu sexo, assim como todo o resto do corpo, pulsava. Fechei os olhos e deitei a cabeça para trás quando senti a sua língua úmida e quente resvalar todo o meu pescoço — Por favor... — Gemi em seu ouvido, numa súplica desesperada por ela.
Atendendo ao meu pedido, virou-se atrás de mim, envolvendo-me com os seus braços. Com a mão esquerda, puxou com força o meu mamilo endurecido de prazer — soltei um gemido rouco entre os seus toques; mordi intensamente o meu lábio inferior, deixando um rastro de sangue encontrar a minha saliva.
Ela desceu a mão livre e puxou, num movimento súbito, a minha calcinha de renda já molhada de prazer. Livre, senti o ar ir de encontro ao meu sexo úmido. Estremeci. Eu inteiramente era dela.
A cada aproximação dos seus dedos em minha fenda, era capaz de sentir o meu coração errar as batidas. Minhas pernas trêmulas não eram capazes de me sustentar. Se não fosse por seus braços me segurando, eu teria caído.
Em pé, abriu mais as minhas pernas, deixando-me livre para as suas mãos fazerem o trabalho. Então, senti os seus dedos mergulharem. Ela penetrou-me com força. Caí mais próxima do seu corpo atrás do meu, arqueando as minhas costas e abrindo-me mais para ela, o máximo que consegui. Eu estava entregue.
— Boa menina — ela sussurrou em meu ouvido, enquanto brincava com meu clitóris e penetrava ansiosamente dois dedos no meu sexo. Abri os olhos e pude ver os nossos corpos refletidos num espelho à frente. Ela, já nua, atrás de mim, devorando-me como uma predadora insaciável. Era a visão do meu paraíso.
— Olhe para mim — disse quase sem voz. — Olhe para nós, Carol. — completei, buscando o seu olhar.
Ela fixou seu olhar no meu. Os seus olhos azuis-piscina, agora escurecidos de deleite, sugaram todo o resto da minha sanidade.
Atingi o ápice.
Era ela. Sempre seria ela. Em quartos de hotéis de 5 estrelas, ou em um motel qualquer. Seria ela em lençóis brancos, ou no chão gelado.
Ela, que marcou as minhas noites com palavras não-ditas, mas expressadas por toques.
Seria ela no céu ou no inferno. Seria ela por carne, por pecado, por desejo, por paixão. Seria ela, por amor?
Texto inspirado no livro The Price of Salt / filme Carol (2015).
