Lembra que combinávamos que quando março chegasse tudo se resolveria? Você voltaria pra casa, eu enfrentaria o medo de me envolver e juntos faríamos dar certo essa nossa história que sempre teve tudo pra dar errado. Pois bem… Março está aí. Meio mês já se passou e seguimos brincando de “quem aguenta mais”, “quem é mais forte”, “ mais orgulhoso”. As vezes penso se vale realmente a pena o prêmio desses joguinhos que insistimos em sempre fazer um com o outro. Não é preciso muito esforço pra chegar a conclusão de que a resposta é NÃO.
Lembro de uma de nossas conversas sem fim, aquelas de reconciliação depois de uma briga sem nenhum fundamento, quando discutíamos uma relação que se quer tínhamos de verdade, em que me falavas do medo que tinha de me perder e eu te acalmava dizendo que jamais perderia. Que se não desse certo ali, um dia iria dar; porque tem coisas que foram feitas pra acontecer. Noutra delas me indagava “com aliança de prata te convenço?” e eu ria te dizendo pra tentar, mas afirmando saber que tal situação jamais aconteceria pelo medo que terias de tentar. Em uma busca rápida nas conversas armazenadas me dei conta que a palavra MEDO aparece mais vezes do que qualquer outra, até mesmo mais do que amor. E pensei que esse era o nosso jeito torto de gostar. Gostar com medo. Medo de dar errado, mas principalmente medo de dar certo. Porque com o errado já estávamos acostumados, enquanto o certo…
Março chegou, você voltou, o meu medo não se foi e as alianças não chegaram. O orgulho ainda segue por aqui e sei que por aí também. E deverá rir de mim enquanto escrevo isso e depois de ti enquanto estiver lendo.

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