O tal do feriado

Depois de um feriado estamos todos com as energias recarregadas para voltar com gás para o trabalho. Mas fico pensando sobre essa ânsia de se chegar o final de semana ou um feriado para descansar a mente. Ok, o assunto já é batido, mas será que temos mesmo que esperar a semana toda para sermos felizes? Ao mesmo tempo também me pergunto, será que temos que amar tanto assim o trabalho de modo que ele não se mostre como tal? Só assim seremos felizes mesmo?

Acredito muito em trabalhar seguindo um propósito, com algo que gosta (ora, senão a Trend e essa News nem existiriam). Mas ao mesmo tempo, ainda que a gente escolha trabalhar em um tema que ama, uma hora ou outra vai ser chato e cansativo. Todo mundo que trabalha com o que ama sabe bem disso.

A própria etimologia da palavra trabalho (tripalium em latim) denuncia isso: três estacas. Um instrumento de tortura medieval usado com os não pagadores de impostos (que por sua vez tinham que trabalhar para não sofrer essa tortura). A palavra começou aí a se tornar o sinônimo de sofrimento. Oficialmente, trabalhar é sofrer.
Mas não é possível que com todo o conhecimento que temos atualmente não somos capazes de atribuir outros significados para o trabalho, ainda que ele não seja dos mais motivadores do mundo, certo?

Ao finalizar um estudo sobre impaciência (calma, já já ele sai), fiz uma entrevista com uma terapeuta budista que me mostrou como nós, ocidentais, não limpamos nossa mente de todo o lixo mental que absorvemos durante o dia. Isso ficou na minha cabeça. Será essa então a luz para acabar com a ligação do trabalho ao sofrimento? Pode ser…

Realmente não precisamos esperar o fim de semana para sermos felizes. E também não precisamos ter o trabalho dos sonhos para acordar segunda-feira com o maior sorriso do mundo, quando encontramos pequenos momentos de descanso e motivação durante o dia. Seja uma respiração, atividade física ou um livro. Desligar a mente diariamente pode ser uma maneira de não ficar tão dependente dos finais de semana e feriados.

Uma dica que já estou adotando para mim: ao desligar o computador no fim do dia, faço uma pequena respiração mais ou menos assim: inspiro e conto os segundos e expiro com o mesmo número de segundos. Que tal tentar isso hoje?