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7 Passos para o profissional de TI sair do Brasil e trabalhar no exterior

1. Fique no Brasil

Não, você não leu errado, talvez a idéia não seja convencer você a ficar, mas se questionar se é isso mesmo que você quer, e o mais importante, identificar se você já sabe que não vai se adaptar.

As razões para deixar o país são sempre diversas e fáceis de se encontrar, melhor saúde, melhor educação, melhor segurança, melhores salários, etc..

Mas e as razões para não sair do Brasil, elas existem?

O Brasil é um país conhecido pela hospitalidade, pelo povo que mesmo nas adversidades consegue sorrir, é conhecido também pela sua cultura, comida, cores, clima, músicas e festas. É um lugar onde a felicidade está presente em locais que não conseguimos entender.

Não, esses não são motivos para pensar em cancelar os planos de uma nova vida em outro país, os aspectos que precisam ser considerados são muito mais pessoais do que gerais como comida e clima.

  • Se você não puder, ou não estiver planejando, levar a família, você conseguiria passar longos períodos de tempo sem vê-los?
  • Você consegue ficar sem visitar a família ( mãe, irmãos, filhos, avós) por longos períodos?
  • Você tem pessoas próximas com idade avançada que você gostaria de aproveitar os últimos anos de vida?
  • É um problem pra você não ver sobrinhos ou até filhos crescerem?
  • Como você imagina que seria lidar com a morte de um ente querido ficou no Brasil?
  • Você se adapta bem à longos períodos de frio ou calor? Lembrando que frio não é escolher 18 graus no ar condicionado, e calor não é o final de semana na praia.
  • É crítico pra você fazer amigos no ambiente de trabalho?
  • É importante ter programas de amigos nos feriados e finais de semana?
  • Você entende que sempre será visto como estrangeiro, e algumas pessoas vão até não gostar de você pelo simples fato de ser estrangeiro?

São perguntas que não representam muito para algumas pessoas, mas se você ficou em dúvida em algumas das respostas, talvez seja melhor pensar um pouco mais, e começar se mudando para outra cidade, possivelmente há no Brasil alguma cidade que tenha melhor estrutura do que a que você mora agora.

2. Escolha um país

Bom, considerando que você pensou sobre todos os motivos pra ficar e ainda sim gostaria de ir embora, é chegada a hora de escolher o país. Muita gente assume a posição de “qualquer lugar é melhor”, e isso é longe de ser verdade. Não existe um lugar perfeito no mundo, todo lugar tem problemas, você só precisa escolher com qual problema vai viver.

A escolha do país deve ser feita baseada primeiramente no motivo que você está deixando o país. Por exemplo, se você está frustrado com o sistema de saúde brasileiro, não faz sentido migrar para um país apenas por conta de salários altos onde você não teria fácil acesso à saúde. Se você planeja ter filhos, ou já os tem, é importante um local onde seja seguro, onde a educação seja barata ou gratuita, e de qualidade. Caso segurança seja a principal preocupação, isso também é um aspecto importante. Existe um mito de que todo país é seguro ou de que não há crimes, isso de fato acontece em algumas cidades de países específicos, mas não é regra e sim exceção, obviamente que certos países são notáveis pela segurança, e por isso você deve pesquisar e se informar sobre os países que possuem o que você mais busca.

Muita gente procura emprego em diversos países ao mesmo tempo, eu particularmente acho importante ter um foco, estudar o local, saber o que vai encontrar, e principalmente saber responder a pergunta “por que você quer morar em X?”.

Escolhido o país é bom estudar o mercado de trabalho, e principalmente a área específica que você trabalha. Então se você é programador, é bom analisar como está o mercado da linguagem de programação que você domina melhor, a faixa salarial, quanta experiência eles pedem.

Durante as entrevistas você será questionado sobre o salário que você quer, e a sua resposta vai decidir desde se você continua sendo uma opção até o quão eles acreditam que podem esperar de você. Saiba essas informações antes de ir para entrevista, dizer “estou aberto para negociações” não vai te ajudar.

3. Fortaleça o idioma necessário

Sempre que vejo pessoas falando sobre sair do país, a frase quem vem em seguida é sempre relacionada à aprender inglês. “Eu preciso voltar pro curso”, “Mas meu inglês ainda não está bom”, “já faz tempo que eu não falo inglês”, “vou melhorar meu inglês, e então…”. Tem também aqueles que não consideram países que não tem inglês como língua oficial, principalmente por pensar que todo lugar é igual ao Brasil onde, dependendo da cidade/estado, é extremamente difícil achar pessoas que falam inglês.

Sobre a primeira parte, não vale a pena entrar no mérito do que porque as pessoas criam barreiras para correr atrás dos objetivos, vamos tratar do mais importante, que são as soluções. Existem diversas maneiras de se aprender ou aprimorar o inglês, que vai do gratuito até as mais caras:

  • Apps e sites de idiomas — Existem diversos Apps de idiomas bastante usados para aprender não só inglês como outros idiomas, os mais famosos são Babbel e Duolingo. Na minha opinião eles não são as ferramentas mais poderosas de aprendizado, mas estes apps são bastante convenientes já que te permitem aprender em pequenas pausas do dia a dia, como em filas de espera, no transporte público, antes de dormir, etc.
  • Filmes e series — É provável que você já assista muitos filmes e series, e possivelmente até já mantém o áudio original, uma técnica que eu mesmo adotei quando comecei foi assistir um episódio ou filme legendado em português, depois assistir novamente legendado em inglês, nas duas vezes com o áudio em inglês. A idéia da primeira vez é entender claramente o que é dito, e na segunda que você já sabe o contexto, se concentrar na pronuncia e vocabulário, sem se distrair com a história que você já sabe. Assistir duas vezes também garante que você realmente está focado no idioma, e não apenas na sequencia de episódios.
  • Hospedando turistas — Existem sites especializados em oferecer hospedagem para turistas (de graça ou não), como Couchsurfing ou Airbnb, que te permitem criar oportunidades de conversar e até fazer amizade com pessoas de outros países. Perceba que esse tipo de experiência vai fortalecer exatamente o ponto mais crítico no aprendizado de inglês, que é a conversação, e o enriquecimento de vocabulário e pronuncia.
  • Hospedando intercambistas — Existem escolas de idiomas e instituições que trazem intercambistas de outros países e hospedam em casas de pessoas voluntárias, como AIESEC por exemplo. É uma experiência bastante enriquecedora, já que você terá alguém por algumas semanas ou meses no seu apartamento o que contribuirá imensamente para aprender parte da cultura e da lingua de outro país. Procure se informar na sua cidade.
  • Cursos de inglês — Esse é o mais obvio de todos, mas mesmo assim deve ser escolhido com muito cuidado, não adianta ir para uma turma com 40 pessoas e um professor que fala tudo em português. Também é possível, por um custo não tão alto, encontrar estrangeiros que dão aula particular, é só procurar na internet.

Sobre a segunda parte, pra quem trabalha com TI, se o país tem ou não inglês como língua oficial, muitas vezes é irrelevante, com a escassez de mão de obra qualificada em diversos países da Europa, por exemplo, boa parte dos departamentos de TI são formados por estrangeiros, que muitas vezes nem falam o idioma local. Então inclua países como Alemanha, Noruega, Holanda na sua lista de busca.

4. Prática e teoria caminham juntos

Perceba que as empresas trazem profissionais de fora do país quando elas acreditam ter encontrado alguém que domina o conhecimento sobre a tecnologia que elas buscam, esses profissionais são os então chamados especialistas (nada tem que ver com especialização académica). Dito isso, é importante mencionar que um especialista tem experiência profissional na área e domina a teoria sobre o assunto.

É comum achar profissionais de TI, que possuem um longo currículo, acreditando que isso, por si só, vai garantir uma vaga em uma empresa em outro país, e justamente por isso terminam não indo bem na entrevista. Isso porque os processos seletivos nas empresas no exterior, muitas vezes incluem uma rodada de perguntas teóricas sobre a tecnologia que você trabalha, e não tenha duvida que essa fase é de extrema importância. Então antes de aceitar fazer uma entrevista na empresa que você realmente quer trabalhar, use algumas semanas ou meses para estudar a teoria sobre a tecnologia que você está buscando emprego.

5. Procurando emprego

Procurar emprego no exterior não é uma tarefa difícil, todos sabem que há uma falta de mão de obra especializada em basicamente todos os países desenvolvidos. A melhor maneira de achar emprego de TI depende do país que você quer trabalhar, eu diria que no geral duas ferramentas se destacam em todo o mundo LinkedIn e StackOverflow Careers.

Ter um perfil no LinkedIn (em inglês obviamente) é imperativo, esse perfil vai ser o seu CV e por isso trate ele como tal. Inclua uma foto profissional, descreva a sua experiência profissional (se possível a cópia dos textos do CV), inclua links para os seus trabalhos, e seja profissional no uso da ferramenta, LinkedIn não é Facebook. LinkedIn também inclui um app chamado LinkedIn Jobs, que como o nome já diz, é especifico para a busca de empregos, incluíndo vagas em todo o mundo.

StackOverflow já é uma ferramenta conhecida por todo desenvolvedor, e ajuda bastante ter um bom score na ferramenta. O que muita gente não conhece é o StackOverflow Career, que é justamente a parte de busca de empregos da ferramenta. Neste site você pode escolher cidades no mundo todo e achar vagas de empregos nessas cidades.

Fora isso, a maioria das empresas possuem uma sessão de vagas no site, cabe ao profissional saber as empresas interessantes.

6. Enviando currículo

Bom, essa é a parte que parece simples, mas não é. Recentemente recebi uma mensagem dizendo “enviei mais de 100 CV e nunca recebi uma resposta”. O motivo para isso podem ser vários, mas existem coisas importantes que devem ser levadas em consideração quando fazendo um CV para uma vaga no exterior:

Foco — Para mim essa é a palavra que define todo o processo de sair do país, e é também a palavra que deve definir o seu CV. No Brasil é comum achar vagas de empregos que pedem experiência com dezenas de tecnologias, linguagens, para trabalhar com uma coisa específica, e por isso os CVs vem recheados de coisas que o profissional ou nunca usou, ou tem um conhecimento extremamente superficial. Isso não é bem visto no exterior. Como eu mencionei antes, as empresas buscam especialistas, e para se tornar um especialista um profissional precisa principalmente de foco, e o CV mostra se houve foco ou não. Quando descrever as atividades em cada empresa, não tente mostrar que você fazia do levantamento de requisitos ao pós venda, pois isso vai trazer o seu CV para o lixo, foque na tecnologia que você está buscando trabalho, e nas que você realmente trabalhou todos os dias, não esqueça da entrevista teórica, colocar tecnologias que você não domina só vai te atrapalhar.

Cover letter — Muitas empresas gostam de receber uma cover letter junto com o CV, pode até ser no corpo do email que você está anexando o CV, ela deve brevemente descrever você, o motivo que você acredita que você se encaixa naquela empresa, e no que o seu conhecimento vai contribuir para o time, para o produto e para empresa em si. Como estamos falando de uma mudança de país, incluir o motivo que você gostaria de se mudar para o país pode ser interessante.

7. Se preparando para entrevista

Normalmente as entrevistas serão feitas por conferência, algumas vezes apenas por áudio e outras também por video. Então algumas instruções básicas:

1 — Construa uma lista de perguntas e respostas e estude-a. Responder o maior número de perguntas possível com confiança faz uma grande diferença, principalmente considerando que você estará falando outro idioma. Então comece pesquisando algumas perguntas na internet, depois adicione as que você encontrar nas entrevistas que fizer, escreva boas respostas para elas e depois ensaie, isso dará mais confiança e fluidez à conversa.

2 — Vá para um local com boa internet e que seja silencioso. Desligue telefones, separe um momento onde você não será interrompido, faça exatamente como você faria se fosse à uma entrevista de emprego na empresa.

3 — Esteja bem vestido. Você não saberá se a entrevista vai ser por video ou não, e estar preparado é sempre importante. Antes da entrevista ligue a camera, e veja como está a visão deles, evite ambientes bagunçados ou com pouca luz.

4 — Dependendo o quão confiante você é no idioma, praticar antes da entrevista pode ajudar, cada pessoa tem a sua maneira, encontre uma que ajude o seu cérebro à se acostumar com a mudança da lingua, leia um texto, assista um filme ou seriado, leia as respostas das perguntas em voz alta, qualquer coisa que ajude a evitar a gagueira inicial da conversa em outro idioma.

5 — É provável que você fará mais do que uma entrevista, então sempre anote as perguntas/tópicos que foram abordados na entrevista e você não foi bem na resposta, e use essa informação para se preparar melhor para a entrevista seguinte.

Do meu lado é isso, foco e boa sorte.