Um outro Chris Cornell subiu ao palco em Detroit anteontem e precisamos falar sobre isso.

Assisti algumas músicas do set list da última apresentação do Soungarden em Detroit horas antes do fatídico e me abstendo totalmente da necessidade de todos de dar um furo, saber, compreender, julgar e especular, precisamos falar daquele cara que subiu ou não em “Detroit Rock City”…

Se você espera uma opinião, desfecho, teoria ou resolução desse texto sugiro que vá aos tabloides e canais dos urubus que ceram a internet em busca de views e likes.

Venho aqui como músico, crítico e observador mas principalmente fã de um artista potencialmente criativo e incansável, tanto a frente e floreando o “Jardim do Som” ou em seus projetos paralelos (ambos com trabalhos vigentes) que sempre me influenciaram, não posso deixar de mencionar o que eu vi durante toda a apresentação.

Um Chris Cornell fora do rítimo, do compasso, semitonado, com demaseadas tentativas de engatar um show que acabou sem ter efetivamente começado, atônito, errando letras, pesado e em muitas vezes como se estivesse em slowmotion, meio dopado, grog… Anódino.

Morte súbita, suicídio, desventura, overdose ou acidente não importa e de que importa? Para cada um se conformar mais de acordo com seus conceitos? Os próximos capitulos dirão.

No momento, o que grita é silêncio deixado por aquela voz…

A vida é um sopro.

E anteontem, em Detroit, um vocalista “super desconhecido”subiu ao palco totalmente diferente do Chris Cornell explosivo com vitalidade e voz rasgada que quem acompanha está acostumado a ver.

E deixou ali, seu último sopro, naquele dia, tentando viver ou não…

Singing one more time around - Might do it
One more time around - Might make it
The Day I Tried to Live — Superunknow,1994

Crédito/Foto: Tristan Davis (há duas semanas)