O mendigo que tem autoridade moral no Brasil

“Robá e dá o rábo”

Obviamente que na história da humanidade, temos grandes filósofos e pensadores que fundaram as bases que sustentam a civilização que hoje vemos aos poucos ruir, uma vez que as pessoas não mais se embasam pelos princípios fundadores e sustentadores da civilização, e buscam as suas bases morais próprias, totalmente diferentes daquelas.
Se compararmos o personagem desta história e sua moral com a filosofia de Platão ou Aristóteles, veremos que mais parece comparar um grão de areia a uma praia completa. Mas mesmo assim, seguindo aquilo que Aristóteles chamou de senso comum, isto é, a sabedoria de todas as pessoas sobre as coisas, ou aquilo que todos sabem que é, veremos que, no contexto de que partiu tal afirmação, este senso comum — e ainda por cima de quem proveio — é fonte de sabedoria, melhor e mais confiável que a atual cultura brasileira, baixa ou alta (rasteiras como uma cobra), entre todos os lixos morais dos quais servem-se os brasileiros mais opinadores, em sua grande maioria.

Estava eu a descançar nas adjacências da Lagoa do Porangaboçu, em Fortaleza, debaixo da sombra de uma árvore a observar a favela do outro lado da rua, e seus moradores em suas atividades diárias. Bem próximo de onde estava havia um monte de entulho jogado, bem típico da boa educação do povo desta cidade (nem todos de fato, mas uma parcela considerável da população eu diria), e neste entulho estava um elemento a vasculhar o lixo e a catar pedaços de metal em meio a imundice. Ele separava pequenos restos metálicos de contrução, e objetos similares, e os juntava noutro canto. E eu apenas observava sem muito interesse.
O mecânico da casa bem em frente, do outro lado da rua, um dos moradores, olhou, reconheceu o meliante e o cumprimentou:

- Aê máh, só catando lixo!
- Isso ae mermo! Tô trabalhando! Não tenho vergonha de trabalhar! E mais, estou limpando a cidade, recolhendo esse material e ainda por cima vou ganhar um dinheiro.
- Isso mermo!! Trabalhador! Não tem vergonha de trabalhar! O que vié veio!
- Só teria vergonha de duas coisas nessa vida: robá e dá o rábo! O resto num tô nem aí!

O diálogo acima não aconteceu exatamente como eu descrevi, mas a sequência das falas, as idéias e os discursos (parafraseados neste diálogo) foram estes. Roubar e dar o rabo sim, fora proferidos desta maneira pelo referido catador de metal. Enfim, o meliante não tinha vergonha nenhuma de recolher pedaços de metal para vender para um centro de reciclagem para ganhar um dinheiro extra. Só teria vergonha de dar o seu rabo e de roubar. Ele estava ali para complementar renda, trabalhando extra.
Refletindo sobre o porquê da fala, fica bem claro que o meliante se orgulha de não dar o cu para ganhar dinheiro e nem de roubar. Ainda que catar lixo seja um serviço de baixo valor social, na opinião dele é digno, pois ele além de fazer o bem coletivo (limpar a cidade), não se rebaixa ao mais deplorável dos abismos da corrupção de si mesmo
Ou, em palavras mais polidas: prostituir-se (não necessariamente somente da forma como concebemos, pensando em prostitutas que vendem o corpo para ganhar dinheiro ou vantagens) e usurpar. O meliante, embora como mero mortal, igual a todos nós, deu ali um testemunho de que prefere ser mendigo do que se corromper com estas imundices.
Este mendigo está moralmente MUITO acima da média nacional de moral e conduta pessoal!! Ele não se vende e nem usurpa. Se recusa a ser uma puta paga ou um sangue suga, ou ainda um cagão de merda, porque vai a luta para ganhar o dia a dia, no suor do seu trabalho! Naquela mesma favela, uma considerável porção dos habitantes vive ou para “robá ou pá dá o rábo”!
Eleitores do PT, petistas e filhos da puta que votam em partidos “PT like” roubam ou dão os seus rabos. Quando roubam, dão os rabos alheios, que nem sabem de quem são, para continuarem com as porcas vantagens que recebem de um partido composto de assassinos, vagabundos, usurpadores, terroristas e psicopatas. Dão os seus próprios rabos por migalhas e se acham muito dignos disto e por isto.
Libertários e liberais roubam e dão os seus rabos (mais dão o rabo do que roubam, por falta de coragem e frouxidão) quando aceitam destruir os pilares de uma civilização inteira, baseada em valores sólidos e imortais, tão somente para poderem viver ao bel prazer de suas vontades e anseios, apenas aceitando a tal “regulação do mercado e da livre concorrência”. São os abre alas das revoluções sanguinárias! Os propagadores do conforto burguês, antecessores do comunismo e do coletivismo.
Isentões roubam e dão os seus rabos pelo simples fato de não fazerem nada, de não se meterem em nada, mas de ficarem olhando impávidos, passivos, inermes e inúteis toda a ação se desenrolar em suas frentes, e apenas ficaram lá, sem a mais mínima reação. Esperam que suas covas sejam cavadas por eles, enquanto assistem, para que então sejam jogados la dentro, ainda vivos, e depois enterrados. Possibilitam o mal e destróem o bem, e são mais asquerosos ainda por isto. A justiça para eles nem é poética, é horrenda mesmo, pois merecem! São eles a materialização do pior estado de espírito que um ser humano pode conseguir, porque neste estado apenas vegetam como um chumaço de capim, digno de ser cagado e pisado pelas vacas e outros animais.
O mendigo que não rouba e nem dá o rabo merece o palco da melhor moral que eu pude presenciar em meio ao povão no qual eu vivo, entre pobres e ricos, intelectuais (mero termo descritivo, pois tratam-se os intelectuais brasileiros de acéfalos) e imbecis, pretos, brancos e mestiços, homens e mulheres, adultos, crianças e adolescentes.