A carne tornada refém

Roberto Gamito

Entre a jura 
e a mentira 
o tempo.

Entre a carne
e a alma
a música.

Entre o tempo 
e a música 
O riso de Mozart.

De tanto olhar para trás
a alma foi devolvida, como que intacta 
à sua origem: o Inferno.

Mas recuou tremente 
de música. A carne 
tornada suporte do incapturável.
A carne tomada pela música.
Esse foi o legado da alma.

Esses foram os interstícios
o poema
de algo que fui inábil 
em confessar-te.

E inextinguível
o riso de Mozart.