Desses dias restam os muros

Trey Ratcliff

Desses dias restam os muros
hoje mais altos, incrivelmente mais altos
que outrora ultrapassei sem dificuldade.

Os abutres perseguem-me em bandos de muitos
incansavelmente dia e noite, noite e dia 
onde quer que eu me esconda 
eles lá estão, à distância de um olhar 
apeados numa árvore defunta
que se recusa a tombar.
Os abutres são perdigueiros 
atiçados pela morte. Farejam sinais de fraqueza, de alíneas
apócrifas de pactos demoníacos em vias de se cumprir
como que adivinham alianças entre a árvore 
a corda o nó e o homem.

Outonos de despedidas, 
de migrações aladas
cardumes de peixes voadores 
a voar rente ao mar. 
Umas vezes por cima,
outras por baixo.