Faz de conta que é um poema de amor

Se ainda a amasse
não seria capaz de ver 
o ocaso esclerosado 
que empresta ao mundo cores últimas e pútridas 
os dias imensamente iguais besuntados de tédio
semblantes enrugados dispostos em fila, num banco
a coagular em olhares fundos e tristes
não esperaria a primavera 
para poder florir em uníssono com as flores. 
Floriria a qualquer altura, perto da boca ígnea 
e aí adquiriria a velocidade certa 
de modo a caminhar mais uns dias contente, 
nutrindo-se de beijos e de todos os derivados do amor.

O mundo dele, supondo que dele não significa meu, embora muitos geógrafos das relações discordem energicamente disto, era ela.