Não há volta a dar

Não há volta a dar
se estamos atascados no reino dos números 
então só há uma escapatória:
dizer-te com manso fervor amo-te
amo-te amo-te amo-te
dizer-to um googolplex de vezes
até sermos mais do que todas 
as coisas grandes e pequenas visíveis invisíveis e teóricas
átomos mitos deuses rombos do passado longínquo e possibilidades
as muitas que existiram e as que hão-de vir.
Ser mais do que tudo o que houve 
suplantar tudo por uma larga margem. Tudo isso 
apenas disseminando mansamente uma única palavra. 
Amo-te. Amo-te. Amo-te...

Se no princípio era o verbo 
no fim também o será.

E para isso, minha querida, 
só precisarei que o teu amor 
que é o meu 
seja eterno.