Os domínios da inércia

Francesca Woodman

Naturalmente as coisas acabarão por ceder. Refiro-me aos astros
que há milénios nos negam as configurações favoráveis. 
A profecia tem que ser cumprida, ignoro quando, para descanso dos deuses.

Um olor de flor perdido entre a dor e o ar.
Caso nos encontre 
resgatar-nos-á, eventualmente, dos domínios da inércia.

Apesar disso 
os objectos adquirem altura
energia potencial no silêncio. Vêm à tona as décadas de dedadas de outrora.

A noite regressa com a mesmíssima força, 
tingindo tudo de negro. Quem descrê no poder dos astros
fita longamente o chão e dá de caras com a entrada do Inferno.

As flores são inodoras
para quem não ama.

Correm soltando faúlhas 
os demónios 
à volta dos nossos dias 
troçando impiedosamente da luz.