Percebendo a urgência

Declaro, de modo mais ou menos enviesado, a minha sovinice emocional. Desde há três séculos, o menino que vos fala tem progredido a passos largos para o zero absoluto. Próximo do qual abundam estados da matéria exóticos. Quando me afundo na penosa e caótica burocracia do pensamento, arrasto-me com uma apatia à prova de bala por entre a floresta dos dias. Momentos durante os quais me vem ao espírito (ou algo que se lhe aparente) aquilo que desde sempre me esqueci ou fui incapaz — em virtude de carecer dos meios necessários para tal — de dizer. Foi tanto; mas disso me alimentei durante este tempo todo. O silêncio despertou como mantimento.
Em face do fim, e percebendo a urgência, é tempo de soltar o garrote das goelas.