A lente que só destrói

Roberto
Roberto
Aug 24, 2017 · 2 min read

Eu nunca contei essa história para ninguém, ninguém ouviu meus sentimentos serem expostos ao extremo, então para inovar, irei mixar alguns dias e aventuras para empolgar mais, então aqui vai…


Era uma sexta-feira, a princípio, nublada. Seria mesmo nublada? Eu já não me sinto mais confortável com a minha própria percepção de cores, nunca tive uma boa visão.

Algo estava diferente, talvez o cabelo da minha mãe ou a barba do meu pai… Não me recordo, e também seria um fato desprezível comparado ao sentimento de incômodo naquela tarde.

Eu costumava usar lentes de contato na época, sim, da cor azul.

Uma amiga me chamou para sua casa, então eu fui e levei meu conjugue.

Fomos lá e nos ofereceram um tal de LSD, confesso que sempre havia sentido vontade de experimentar mas me faltava coragem, e por querer impressionar a garota que estava comigo na época, eu usufrui daquele pequeno alucinógeno. De primeira, achei que fosse fraco, então experimentei outro, inteiro, e subi para o quarto para fazer sexo.

Foi durante o ato que tudo começou… Eu ouvia zumbidos, barulhos, via pessoas no quarto, a luz estava apagada e estávamos nus.

Estávamos delirando e alucinando, então, eu saí de lá e fui até a rua.

O céu estava rosa, sim, era um rosa choque, ou pink… Já disse que não sou bom com cores… Era algo rosa.

Meses após eu consegui capturar um momento em que o céu estivesse rosa, de fato.

O efeito, parecia trazer alguma lente, como um filtro, algo que transformaria o primeiro plano em surreal. Era uma lente que só me destruía, como um pseudo-filtro surreal que corroía toda a realidade expurgando meus sentidos e capacidade cognitiva.

Eu ouvia presidentes discutindo na sala sobre uma reunião da ONU, enquanto escutava o álbum do Pink Floyd, The Dark Side of the Moon, na cozinha.

Confesso que achava tudo engraçado, sinto saudade da época que sentia apenas engraçado.

O efeito passou horas após, e então eu fui para o meu lar.

Repousei até que eu pudesse me sentir melhor e dormi.

No dia seguinte, quando tudo estava suavemente tranquilo, senti uma brisa serena entrar pela janela, momentos após aquela brisa se tornou um furacão e eu perdi os meus sentidos por alguns instantes.

Eu estava confuso, olhava para as paredes e o efeito havia retornado.

Minha guitarra flutuava e tocava um bom som do Beatles, minhas paredes eram como um oceano de minhocas cinzas e brancas.

Eu sentia medo, esse medo me mudou.

… CONTINUA

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