A Procura de Andrômeda

Estava indo em direção a Andrômeda, sua viagem já passava de seis meses, e mesmo que já conseguissem utilizar uma dobra espacial e sua câmara criogênica facilitasse o passar do tempo, provavelmente só iria voltar para Terra depois de algumas décadas. Sua família continuaria a mesma, porque os humanos já podiam viver por séculos, mas aquele tempo todo ausente iria mudar muita coisa. Talvez nem o reconhecessem mais, principalmente seus sobrinhos, que ainda estavam chegando na idade de não mais envelhecer, ou seja, eram terráqueos muito jovens. E aquilo o incomodava muito…

Deixou para trás muitas coisas, desde cedo fez escolhas diferentes, que não lhe incomodavam, mas que não eram o que as pessoas ao seu redor esperavam. Por isso, sempre prorrogou muita coisa em sua vida, porque esperava encontrar algo melhor, grandioso, mesmo sabendo que isso talvez fosse uma ilusão ou algum conselho tolo de um livro de autoajuda. Porém, isso não fazia diferença, porque acreditava fielmente nos seus ideais e iria até o fim para ter sucesso na vida, para se encontrar. Foi assim que escolheu aquele destino, a primeira viagem para uma galáxia diferente da nossa.

Seu namoro já durava muitos anos e sabia que aquilo iria durar para eternidade, pois já tinham pessoas vivendo há quase mil anos e achava impossível aguentar alguém por tanto tempo. A sua viagem foi uma desculpa muito boa para encontrar a felicidade que ele tanto buscava, mas mesmo naquele momento, ainda não sabia onde procurar. Quando descobriu que Andrômeda era um nome feminino, teve certeza que aquela seria a jornada da sua vida, mas quando entrou naquela espaçonave já começou a se questionar, pois era agora que se aproximava do desconhecido, que já não tinha mais certeza se ali era o seu lugar.

A viagem já havia lhe proporcionado seu primeiro momento de glória, já era uma celebridade no seu meio, mas buscava mais, buscava influenciar um mundo de pessoas, sabia que estava destinado a isso. E ao chegar em Andrômeda seria capaz de finalmente encontrar vida inteligente, algo que não conseguiram na Via Láctea, mesmo com seus bilhões de sois, só acharam animais e monstros. Os biólogos tinham razão, a vida inteligente é mesmo um milagre no universo.

Só o fato de sair da onde nasceu já lhe tirava um peso das costas e lhe trazia uma sensação de conforto, mesmo com a saudade, sabia que o seu lugar não era a Terra. Então foi até o Deck, onde poderia ver na maior janela da nave as primeiras impressões daquela nova galáxia, ela era linda, completamente nova, sua poeira cósmica o envolvia, agora tinha certeza que mesmo que não se encontrasse naquela nova realidade, o seu lugar era ali, no desconhecido, bem longe do lugar comum. E não importava o que iria encontrar, só de estar ali já se sentia feliz.

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