Meu Universo é logo ali
Vivia num formigueiro, era uma formiga operária, responsável por pegar madeira seca, folhas, pedaços de insetos e várias outras coisas para alimentar os fungos, que eram o alimento de todos ali . Fazia aquilo todos os dias, sem saber ao certo como funciona aquele processo, só sabia que tinha uma função. Os dias eram sempre os mesmos, ela acordava, trabalhava, se alimentava e dormia. Aquilo nunca foi um problema, até o dia que estava andando em fila segurando um graveto em direção ao formigueiro e viu algo enorme se aproximando, aquilo cobriu o sol e fez o chão tremer. Passou como uma chuva, destruindo tudo que tocava e matou dezenas de formigas de uma vez. As que restaram vivas pareceram nem se importa importar, continuaram trabajando como se nada tivesse acontecido. Porém ela parou para admirar aquele encontro com o desconhecido, afinal, o que era aquilo? Enquanto a fila agora dava volta nela, ficou observando aquela coisa se afastar até desaparecer. O que poderia ser aquilo? Um desastre natural?
Aquele trabalho era constante e nunca havia questionado o seu papel, a rainha dava as ordens, alguns diziam que faziam tudo aquilo por causa das hormônios liberados por toda poderosa, para manter o controle de tudo e outros já diziam que não, que faziam tudo aquilo porque sempre foi assim. Porém, nada daquilo importava mais, e ela iria atrás de respostas, pois o que tinha presenciado naquele dia mostrava que o universo era mesmo muito maior do que o seu mundo, aquele formigueiro. Por isso resolveu fazer uma jornada até o desconhecido, aquela imensa árvore da qual só conseguiam ver as raízes externas e que eram proibidas de se aproximar, ali começava o fim do seu mundo, o começo do universo e o fim de tudo que conhecia, ali estava a resposta para tudo.
Não sabia porque havia saído daquele transe de uma formiga operária, mas o que importava é que não iria voltar aquela condição, agora iria escrever a própria história. Por isso, devemos noite foi até os fungos, onde estavam todas as reservas de alimentos, pegou ó máximo que podia carregar nas costas e foi embora daquela ilusão. Demorou horas para sair do formigueiro, agora já estava amanhecendo e pode ver aquela estrutura enorme, que era muito além do seu campo de visão, era algo que não conseguia compreender. E por isso mesmo foi em sua direção, a viagem até o primeiro centímetro do caule demorou vários dias, e quanto mais perto se aproximava, mais conseguia entender o que era aquilo, mas ao mesmo tempo, tinha mais perguntas do que respostas.
Chegou no começo do seu seu universo, tinha ainda uma longa viagem, ali era um território proibido, talvez fosse a primeira formiga a chegar ali ou talvez fosse mais uma que não voltou. Chamavam aquela estrutura de árvore, mas não sabia o porque, só queria compreender a si mesmo e por isso começou a subir aquele caule que parecia infinito. A viagem até as primeiras folhas demorou mais dias do que imaginava, ali eram o que chamavam de galáxias, e como era lindo tudo aquilo, como a árvore era frondosa, não conseguia ver o exterior, apenas suas folhas internas e ali era um breu, mesmo durante o dia, ela precisava chegar ao fim do universo, ao topo, para descobrir como tido começou, para ver o horizonte, para ver qual era o sentido da sua existência.
A comida já estava no fim, não sabia se chegaria até o fim da sua jornada, seria muito injusto viver uma vida inteira sem saber o real significado de tudo aquilo, porém não desistiu, continuou subindo com as poucas forças lhe sobraram. As cada passo de suas patas era um sofrimento, porém já podia ver o topo, os primeiros raios de sol saiam das últimas folhas, ali teria uma visão do fim do universo, saberia a razão de estar viva. Por isso usou da sua última energia, para sair daquela imensa escuridão e atingir o topo, da sua existência. Deu o último passo, com a última energia do seu corpo, saiu daquela árvore, agora estava no fim do seu universo, afinal porque estava viva? Qual era a resposta para tudo? O que tinha ali? Abriu os olhos com força, para se acostumar novamente com a luz do sol e viu que tinham centenas, milhares, milhões, bilhões, talvez infinitas árvores. Eram universos dentro de universos, várias árvores que até se confundiam, interligadas. Ficou perplexo, impressionado com a ironia da vida, naquele momento entendeu tudo e morreu, feliz.
Email me when Roberto Pantoja publishes or recommends stories
