O Destino…
Saiu da festa em um estado deplorável, bebeu demais, admite. Andou de um lado para o outro até encontrar o carro, se passará trinta minutos, em apenas cem metros. O tempo andava em câmera lenta, naquele instante, assim como a sua vida, não sabia o que fazer, que passo tomar, se deixava a vida levar ou se criava o seu destino. A segunda opção parecia a mais sensata, afinal o tempo havia lhe ensinado algo óbvio, era o único recurso escasso na Terra. Achou melhor não pensar mais naquilo, decidiu entrar no carro, mas naquele instante o tempo pareceu voar. Como uma amnésia alcoólica, se recorda bruscamente de ter guiado seu carro, até recorda de alguns trechos de estrada, mas como um passe de mágica estava abrindo o portão de casa. Este demorou para abrir, assim como seus olhos, talvez pelo cansaço, entrou no terreno e abriu a porta como se a chave fosse um brinquedo antigo, daqueles que se tenta tirar um órgão sem apitar a sirene, claro que a sirene tocou várias vezes até a porta se abrir. Fechou a porta na tentativa frustrada de não fazer barulho, mas foda-se também. Andou até a cozinha, procurou algo de bom para comer, não encontrou nada e bebeu dois copos de água numa tentativa de acordar melhor. Foi até o elevador, esperou um andar como se fossem seis, e quando a porta abriu tomou um susto. Dentro havia um vulto, a luz do elevador estava apagada, só via uma silhueta de algo aterrorizante. Aquilo tinha um chifre enorme, era uma espécie de diabo, talvez o próprio. Apesar do momento estático, entrou no elevador com aquele monstro, que estava de lado, mal podia ver seu rosto. Fez questão de não acender a luz, a porta fechou e ele ficou no escuro de frente para a porta e de costas para o demônio. Naquele instante o tempo parou, não como anteriormente, mas com um silêncio doentio, podia sentir o bafo quente nas suas costas. A única luz era do andar que custava a mudar, e ela era vermelha. O zero finalmente virou um, a porta se abriu e saiu como se estivesse sozinho. Não sabia se sentia medo ou se era melhor desfalecer naquele momento de terror. Abriu a porta do quarto, o monstro passou, ele esperou, fechou a porta e foi lentamente até a cama. Levantou a colcha, tentou relaxar e esquecer o único momento de pânico que sentirá na vida. As pernas não o deixavam descansar, doíam, sintoma típico da insônia. Deitou reto, fixo e observou que aquele ser estava de frente para ele, não tinha um rosto definido, só dois chifres e grandes olhos vermelhos. Aquela visão era muito real para ser verdadeira, não tinha idéia do que fazer, era um medo avassalador, não tinha reação, era um sentimento que havia passado do tolerável. Esperava qualquer tipo de situação na vida, mas não estava preparado para aquela, não entendia se aquilo era real. O demônio estava ali parado, encarando, de frente para ele. Os olhos não pareciam humanos e era difícil identificar o que era aquilo. Aquele fantasma o olhava fixamente, enquanto ele, na cama, tremia, suava frio, então tentou fechar os olhos e a cada vez que abria o monstro estava em um lugar diferente, uma vez no sofá, outra na porta do banheiro, no teto e finalmente do seu lado da cama. Fechou os olhos com força, tinha desejo pelo desconhecido, mas naquele momento a razão e o medo controlavam seu ser, finalmente matou seus instintos humanos e conseguiu dormir. As horas se passaram como se o dia fosse noite e quando finalmente acordou, ainda se lembrava de algo, como uma vida passada, uma realidade paralela. Foi levantar da cama, quando uma mão lhe puxou e disse, “Onde você vai amor? Ainda são oito horas da manhã e hoje é sábado”. Ele fechou os olhos e tentou acordar mais uma vez!
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