O Sentido da Vida

Com uma frequência enorme sentia que aquele corpo não era seu, que aquela perna mexia involuntariamente, principalmente deitado antes de dormir. Não conseguia entender seu corpo, sua realidade, porque diabos estava ali, vivo, naquele pedaço de carne? Sabia que aquilo era o maior mistério do universo, mas não queria esperar à morte para descobrir, pois tinha certeza que aquela vida era uma só, pois mesmo que voltasse, seria diferente, não seria ele mesmo. Então que eternidade seria essa? E para que diabos a evolução nos deu o dom de pensar? Para sofremos ainda mais com esta existência?

Agora são milhares de pensadores que questionam a realidade e todos tem o mesmo destino, voltam para o barro. Então para que perdemos tanto tempo escrevendo, questionando e trabalhando? O que nos motiva? Uma força sobrenatural ou o instituto de sobrevivência? Isso é um paradoxo, nos coloca entre a sabedoria universal e um primata selvagem. Até porque, não sabemos o que nos controla, o cérebro ou um instituto animal. Sem dúvida o segredo está em dominar a razão sobre a emoção, mas como seria de se esperar do equilíbrio do universo, a vida não teria graça.

Continuava a ler aquele livro na cama e a questionar a sua própria existência enquanto sua perna doía com a insônia. Não sabia o que incomodava mais, a dor física ou espiritual. Aquilo ali era de uma perda de tempo sensacional, mas também era o maior segredo do universo, guardado a sete chaves no túmulo de cada um. Por isso valorizava seus momentos de reflexão, parava para olhar para o céu à noite, para lembrar da sua insignificância e logo depois sentir o poder físico do sangue que corria no seu coração. Aquele dilema era a graça de estar vivo, um mistério que gera uma eterna dúvida e busca, por algo que não está nem no cosmos e nem no coração. Algo que ele iria encontrar, de preferência vivo, pois o paraíso precisa vir até nós.

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