O Suor da Alma
O sexo era suado, fazia tempo que não ficava com o queixo e o nariz pingando, aquilo sim era amor, e tudo aquilo que era considerado nojento, era lugar comum naquele quarto. Ela não era exatamente o que ele esperava, mas superou todas as expectativas, e por isso já sentia falta do seu cheiro, do seu gosto, em cima e em baixo. Ao lado dela, se sentia homem no sentido mais brutal da palavra e sempre que consumia tudo aquilo, ia até o banheiro e se olhava no espelho admirado. Aquilo era um momento único, era um bom motivo para estar vivo.
De frente para ele mesmo, olhava para seus olhos que estavam ardendo com o suor da testa e pensava com o seu reflexo, a sua verdadeira essência, a emoção animal, porque as pessoas procuram um alguém que não seja assim? Era tão fácil encontrar alguém para ter uma vida de estabilidade eterna ao seu lado, que devia ter mil em cada esquina, agora, alguém para tirar a seu rumo, ele contava nos dedos. Não que isso fosse algo bom, já que preferia a cumplicidade, mas para um homem a atitude de uma mulher fazia muita diferença, e mesmo que o calor não fosse o motor do amor, ajudava em muito a ser resiliente.
Cada dia assim era equivalente há semanas de uma vida almejada por tantos, uma vida sem sal, e não pensava somente no amor ou em qualquer outra perversidade, mas em todos os momentos da vida. Como os dias da semana, que as pessoas inventam desculpas para agir e repetir os hábitos de seus pais, para julgar as pessoas com comentários cretinos. A vida deveria ser um final de semana, uma sexta a noite ou um sábado completo. Para que criar um ciclo de tudo aquilo que ninguém concorda, mas todos aceitam?
Hipocrisia, sim, esta era a palavra. Fingem que trocam sua liberdade por algo relevante, mas levam uma vida medíocre, sem experiências, fé, amor ao próximo ou suor. Vivem julgando toda vida que queriam para si, como vampiros, sugando a alma e a felicidade de quem conseguiu ser feliz, mesmo que por um curto período de tempo… Com frio, o sangue da cabeça voltou com ele para espelho, um lapso, apagou por milésimos de segundos, abriu e fechou os olhos, segurou na bancada da pia, pisou firme no chão, sentiu o medo natural que assombrava a humanidade, amoleceu junto com seus músculos, virou as costas para si e voltou para cama como entrou, preocupado com tudo aquilo que ainda tinha que fazer naquele dia.
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