
Quanto Custa o Amor?
Ela foi criada com tudo que era necessário para ser uma mulher independente, estudou nos melhores colégios, morou no exterior, tudo que seus pais nunca tiveram. Porém, o seu interesse no sexo oposto era estritamente financeiro, o que teoricamente não fazia sentido. Ninguém sabia ao certo da onde vinha aquele comportamento, seu pai era um homem batalhador e sua mãe sempre esteve do lado família, mesmo no começo, quando não tinham nada. Talvez ela tivesse uma influência muito grande das amigas do colégio, que era o mais caro da cidade, mas que tinha valores muito baratos. Aquela superficialidade era quase um padrão no meio que rondava, de pessoas com conteúdo, mas que preferiam ser vazias. E naquele jogo de poder, tudo deveria ser uma troca, mas ali todo mundo perdia, enquanto ela desejava dividir ao invés de somar, seus pretendentes estavam sempre inseguros em não conseguir satisfazer aquela alma insaciável por tudo aquilo que ela não precisava.
Naquele mercado, a demanda era muito alta por amor, mas a oferta só oferecia papeis podres, e uma transação durava no máximo um overnight. Depois de um tempo, todos os homens cansavam daquele teatro e passavam a ir atrás de uma pessoa de carne e osso, para isso saiam do grupo e muitas vezes acabavam com a primeira mulher que suprisse a carência que nunca foi preenchida. E ela foi vendo o tempo passar, mas sempre apostava em raros casos isolados de amigas que tiveram uma soma zero na casamento e na vida. Mulheres que conseguiram experimentar por poucos anos ficar ao lado de um homem que só era feliz fora de casa, até encontrar o amor e fugir… Muitas vezes aqueles exemplos não tinham tempo suficiente para mostrar que ela estava errada e por isso sempre mirava em uma ilusão.
A vida vazia, talvez tivesse uma forte influência da cidade que morava, sabia que Los Angeles e São Paulo tinham uma busca por poder maior do que outras cidades, eram mais ligadas a imagem. Porém, acreditava que ainda tinha chance de encontrar alguém de acordo com a sua ambição com zero mérito. Seu pai ao invés de ajudar, só piorava, sempre reclamava que ela estava sozinha, como todo pai que não sabe educar um filho, e suas palavras eram mais vazias do que a sua atitude para ajudar a filha. Como sempre, ele preferiu deixar o tempo cuidar da situação e a vida dela começou a mudar. As pessoas que tinham interesse nela, já não tinham mais, pelo contrário, já começavam a evitar sua presença. As amigas já não faziam tanto sentido e pareciam viver rindo daquilo que não tinha graça. E a sua idade estava em uma transição, entre o tempo ideal e fim. E ela acabou que nunca conseguiu entender direito o que tinha de errado na sua vida, porque nunca ninguém lhe ensinou, mas os dias passaram e ela teve a certeza que os homens são mesmo uns idiotas!
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