Ser Diferente para ser Feliz

O cargo que ela exercia não estava de acordo com a sua capacidade intelectual, ela sabia disso, mas havia estudado anos para chegar onde estava e por isso preferia acreditar que aquilo fazia diferença para o país. Não era algo insuportável, mas incomodava e sentia que podia mais. Ficava em dúvida em que caminho seguir, era uma questão que lhe ocorria desde a infância, se iria viver o que sempre sonhou ou se iria fazer aquilo que era preciso. Com esta dualidade tinha uma opinião muito bem formada, que pessoas imaturas viviam de riscos e instabilidade, e adultos, homens e mulheres, precisavam ter uma vida constante, para trazer segurança para seus filhos. Já não sabia mais se aquilo era uma opinião pessoal ou se apenas ficou marcado na sua mente com brasa durante sua vida, com memórias vivas das palavras de seu pai, familiares e outras pessoas ao seu redor.

Ao mesmo tempo que já não tinha idade para perder tempo com sonhos e fantasias, também tinha experiência suficiente para saber que alguma coisa estava errada naquela premissa, pois suas amigas mais interessantes tinham uma vida diferente e as mais parecidas com a sua mãe, eram exatamente as que vendiam o pão nosso de cada dia. Porém, suas amigas mais alegres eram também as mais compreensivas e nunca desmotivaram suas escolhas de ter os pés no chão, o contrário das outras, que sempre desmotivaram qualquer tentativa de ter a cabeça na lua. Sabia que isso também representava um dualidade universal e milenar, como o dia e a noite, masculino e feminino, preto e branco, e Ying e Yang. Eram arquétipos que regulavam o universo, e mesmo que todo mundo tivesse certeza que a noite era mais divertida do que o dia, as pessoas sempre iriam negar ou criticar esta constatação.

Toda esta cruzada contra o desconhecido seria uma intervenção divina? Feita para nos desviar de um real propósito? Porém, no final das contas, aqueles que seguiam o caminho mais diferente, eram os que tinham destaque no mundo, seja em matéria de riqueza ou felicidade, mas mesmo assim, grande parte da população iria sempre andar lado a lado com o óbvio, sempre se utilizando de raros exemplos que justificassem a sua mediocridade. Naquele momento o seu cérebro deu uma faísca, um sinal de luz, se iluminou. Então, agora ela teria a capacidade de viver uma vida diferente, mas com toda sabedoria de respeitar as escolhas de cada um, mesmo que elas fossem o verdadeiro inferno na Terra e tudo aquilo que foi criado para desviar do único caminho para o infinito, pois isso não era algo que ela poderia falar, mas sim, algo que cada um tem que descobrir.

Email me when Roberto Pantoja publishes or recommends stories