Tanto Faz

Sentia que podia mudar o mundo, mas aquela sabedoria não podia se perder com a sua falta de foco, devia escolher um objetivo bem definido. Talvez podia começar por mudar a si mesmo, mas para isso precisava enfiar um punhal no seu coração, afinal, nada era mais difícil, talvez nascer de novo ou destruir seu EGO. Sim, tinha acabado de acordar e o peso da responsavilidade já tinha afetado seu sono na noite anterior, se sentia cansado, da vida e da necessidade de influenciar. Talvez fosse melhor fazer algo bem simples, como um emprego comum, uma vida estável, um filho e uma mulher para amar, mas só de pensar nisso me sentia ainda mais o peso da humanidade, o fardo de estar vivo. O universo inteiro em sua mente e cada dinoussauro em seu DNA.

Pegou seu computador e começou a escrever, ainda com gosto amargo na boca, não aquilo que fosse popular, mas aquilo que ele queria que fosse. Seria tão difícil entender o óbvio? Não faz sentido que fazer tudo que todos querem é uma bela merda? Porém, talvez, será, que fazer tudo diferente não seria cair na mesma rede neural da mesmice? Talvez a Samsara tentando te enganar mais uma vez. Sim, talvez, ser igual ou diferente fosse a mesma coisa, assim como a direita e a esquerda. E Deus seria um maldito liberal? Com suas influências, delírios e desvaneios políticos, talvez sim. Era uma forma inteligente de pensar, as vezes, talvez, fossem gostar ao ler aquele momento de fúria.

Escrever num computador não parecia a forma mais inteligente de eternizar sua vida, podia a internet cair junto com a sua alma e o seu sonho de ser eterno seria tão efêmero quanto o próprio egoísmo de se tornar eterno. A vida é mesmo uma caveira, de olho no urubu, na carne, no sangue seco no asfalto, um vai e vem eterno, um desejo tolo de ser alguém, de provar algo, para sua mãe, pai e família, mesmo que eles não deem a mínima para nada além da vida deles, sim, não existe coletivo, somente um idividualismo, talvez cada universo seja uma emulação dentro de cada cérebro, achando que vivem com diversos seres, mas que estão lá para criar a maior mentira do mundo, a própria realidade.

Pegou aquele texto e apagou, resolveu finalmente acordar, tomar um banho, colocar uma roupa formal e formalizar seu contrato social, assinar a própria existência. Ter certeza que a maior mentira era acreditar que aquilo era uma mentira, talvez viver fosse a solução para eternizar uma vida sem vida. E a morte fosse sim a grande chance de entender o inexplicável, o desconhecido, ou seja, nada. Sim, tanto faz, o que estiver aqui ou mesmo aí, é apenas mais um desvaneio, uma tentativa de explicar o inexplicável, e de influenciar o que ninguém quer.