Tudo tem um fim?
Seu pai tinha morrido há seis meses, era doença misteriosa, uma em um milhão, uma doença degenerativa. Ele não tinha sofrido, a doença foi fulminante, o tratamento estava indo bem, não tinha sequelas, mas de repente tudo deu errado e em duas semanas, aquele homem vivo e forte, se definhou até o fim.
Claro, toda história tem um final, alguns felizes, outros não. Sabia que seu pai fora um homem ausente, e depois da separação, ele só a via uma vez por mês. No começo era todo dia, depois uma vez por semana, a cada quinzena e então, uma vez por mês, quando era possível… Claro, tinha uma parcela de culpa, ficou mais velha, tinha outros intetesses e no fim, aquilo pesou bastante, se sentiu péssima, culpada. Amava muito seu pai, mas nunca teve a coragem de olhar no seu olho e dizer isso, mal se abraçavam, era uma pena.
Queria ter tido mais tempo, ser mais presente, mas sabia que no fundo ele sabia disso, e a amava do mesmo jeito. No dia de sua morte chorou muito quando seu pai te abraçou no leito do hospital, no leito de morte. Nunca vai esquecer aquele dia, que fez a promessa que faria diferente, seria amorosa quando tivesse uma filha, seriam grudadas e não teria espaço para dizer eu te amo, pois iriam dizer isso uma pra outra todos os dias.
No dia do enterro não quis se aproximar do caixão, não chegou perto nenhum instante, sua mãe disse que ele estava lá, mas para ela, ele nunca morreu, na verdade ele sumiu, afinal, se ela não viu o corpo, a matéria sendo sugada pela Terra, logo não existia nada que comprovasse a sua morte.
Todo dia acordava e pensava que ele deveria estar vivo em outro lugar, em alguma cidade do mundo, tomando um café ou na praia, como ele adorava. Não queria que a vida tivesse um fim, que fosse tão limitada, queria voar, realizar seus sonhos, queria ser imortal. Seu pai já estava nesta etapa da vida, naquela que tudo é possível, e sabia que a vida não tinha um fim, era apenas uma passagem, e quem estava na prisão era ela, condenada a viver neste mundo. Depois de seis meses nunca mais pensou nisso, sabia que agora não tinha mais porque questionar a sua existência, já era, já fazia parte daquilo tudo. Seu pai teria morrido ou seria ela?
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